Thuram descreve gols e rejeita rótulo de herói
Menos de 24 horas depois de marcar os dois gols da vitória contra a Croácia, que garantiram à Seleção Francesa a inédita chegada à final da Copa do Mundo, o lateral-direito Lilian Thuram preferiu esquecer qualquer marketing pessoal e evitou o rótulo de herói nacional. Não me considero um herói apenas porque marquei dois gols, comentou. Ainda temos uma decisão muito importante pela frente.
Apesar do excesso de humildade, o assédio do day-after foi inevitável. Ontem, em Clairefontaine, local da concentração do time francês, Thuram foi o centro das atenções. Teve de lembrar várias vezes para os jornalistas as jogadas de cada gol e a sensação após marcá-los. De óculos com uma armação preta e arredondada, o jogador, da italiana Parma, mostrava serenidade, aparentemente não tão empolgado com o momento de glória.
A grande sensação será domingo, em Saint-Denis, para um público de 80 mil pessoas, afirmou. Disputar a final de uma Copa do Mundo é a coisa mais magnífica que pode acontecer para um jogador de futebol. Thuram quer transformar a excelente repercussão de sua atuação contra a Croácia em uma espécie de energia extra para a decisão. Quer entrar em campo mais motivado do que nunca.
Aos 26 anos, Thuram, nascido em Guadalupe, uma ex-colônia francesa no Caribe, ganhou destaque nas manchetes de jornais de vários países e caiu na graças de eufóricos torcedores que tomaram a avenida Champs Elysées, em Paris, após a partida. Thuram, presidente, gritavam os franceses. Ele ainda ganhou os cumprimentos do próprio presidente da República, Jacques Chirac, que assistiu ao jogo na tribuna oficial do Estádio da França. Thuram foi extraordinário, disse Chirac.
Apesar de exaltado pela torcida, pela imprensa e pelo presidente, Thuram, em momento algum, deixou de lado o seu discurso de modéstia. Ele fez questão de lembrar que, apesar de a Seleção Francesa ter chegado a uma final de Mundial pela primeira vez em sua história, os grandes heróis do futebol do país continuam sendo Platini, Tigana e companhia, a talentosa geração dos anos 80, que chegou, ao máximo, a uma semifinal - na Copa do México, em 1986.
A nossa conquista não desmerece e nem diminuiu o que eles todos fizeram pela França, afirmou. Foi graças a eles que ganhamos confiança e vontade para chegarmos até aqui. Com esta mesma confiança e humildade, Thuram espera poder continuar ajudando a equipe nacional.
Marcar outros gols é algo que nem passa por sua cabeça. Thuram precisou de 38 jogos pela seleção para marcar o primeiro. Fez logo dois de uma só vez. Antes já havia marcado gols por alguns clubes, como o Monaco, lembra. A palavra que Thuram usou para justificar a razão dos gols foi sorte, algo como estar no momento certo na hora certa. Não fazia gols nem em treinos.France PresseCentro das atençõesLateral Thuram concede entrevista em Clairefontaine: Ainda temos uma decisão muito importante pela frenteAgência Estado





