Thomas Dooley enfrenta a sua ex-pátria
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sábado, 13 de junho de 1998
Agência Estado 
France PresseLalas e os demais companheiros de Dooley treinam com muita disposição para a estréia amanhã, diante da poderosa Alemanha Amanhã, em Paris, o capitão da seleção dos Estados Unidos, Thomas Dooley, de 37 anos, terá de controlar a emoção e ouvir em silêncio o hino da Alemanha, primeiro adversário dos norte-americanos. Será uma situação nova e curiosa para Dooley: ele é alemão, e esteve perto de defender a seleção do seu país de origem antes de ganhar a cidadania norte-americana.
Segundo Dooley, não jogar pela Alemanha era seu destino. Ele começou sua carreira jogando pelo Hamburgo, há 14 anos. Sua melhor fase no futebol alemão foi nas quatro temporadas que passou atuando pelo Kaiserslautern, entre 1989 e 1993. Naquela época, Dooley teve seu nome cogitado para a seleção alemã em três ocasiões. Dias antes da primeira convocação, sofreu rompimento dos tendões do tornozelo direito que o deixou quatro meses parado.
Na segunda vez, machucou o outro tornozelo. Por fim, quando toda a mídia alemã dava sua convocação como certa pelo técnico Berti Vogts, Dooley levou uma joelhada de um adversário e fraturou quatro costelas. Minha mulher dizia que o destino estaria me reservando alguma surpresa, que talvez não fosse mesmo para jogar pela seleção alemã.
O pensamento da esposa Elke fez sentido quando, em 1992, Dooley recebeu uma proposta para adquirir o green card e defender as cores dos Estados Unidos. Ele não teve problemas para conseguir o documento, porque seu pai era um veterano do exército norte-americano, que se casou com uma alemã e foi morar na Europa. Assim que se tornou cidadão americano, Dooley foi convocado para a seleção do seu novo país. Apesar de tudo, seguia jogando em clubes da Alemanha.
Quando disputou a Copa de 1994 pelos Estados Unidos, o volante tinha alguma dificuldade para falar inglês. Hoje, após seis anos de convivência com seus colegas na seleção norte-americana, Dooley é o porta-voz do time. Lidera os companheiros dentro e fora de campo. É o primeiro a dizer que não se pode temer os alemães. Não podemos deixá-los respirar, diz o jogador que trocou de pátria e há dois anos joga na Liga Profissional Norte-Americana (MSL), defendendo o Columbus Crew. Se acreditarmos no nosso potencial, podemos vencer a Alemanha da mesma forma que batemos o Brasil, reforça Dooley. Ganhamos do primeiro do ranking mundial, está na hora de derrotarmos o segundo.
O alemão Dooley é um dos vários estrangeiros que migraram para os Estados Unidos e hoje compõem a equipe norte-americana. O zagueiro Jeff Agoos nasceu na Suíça. O meia Pedrag Preki Radosavljevic é iugoslavo. Tab Ramos veio do Uruguai. David Regis é francês. Ernie Stewart, holandês, e Roy Wegerle é natural da África do Sul. A autêntica legião estrangeira acredita que pode vencer os desafios contra outras potências no futebol e impor uma nova supremacia.


