''A pista de Londrina não podia ter melhor nome que Circuito Ayrton Senna. Não sou só eu, todos os pilotos que já andaram nele a apontam como a mais difícil e técnica do Brasil. Perigosa e desafiadora, principalmente por seus muros e guard rails muito próximos do asfalto, ela não permite erros, já que suas áreas de escape são, digamos, econômicas.
Ao contrário de outros traçados, a reta principal não é o ponto em que se atinge a maior velocidade. Nela, percorrem-se apenas 200 metros em quinta marcha e se chega a apenas 205 quilômetros por hora. Comparando com outros circuitos, pode parecer pouco, mas não é essa a sensação que se tem quando chega a hora de reduzir para quarta marcha e entrar na curva do fim da reta, para a direita, com o motor ainda girando alto e o carro tentando fugir da mão.
Em seguida, vem a curva de 90 graus, feita ainda em segunda e passando por cima da zebra do lado de dentro zebra é aquela borda da pista feita com um asfalto diferente onde, teoricamente, não se pode andar; na prática, se anda até demais. Depois da 90 graus, vem a famosa Caixa d'Água, também em segunda marcha. É uma curva longa e difícil, e exige que o piloto acerte o momento exato de acelerar fundo e despejar toda a potência para ter aceleração máxima na saída da curva.
Após a Caixa d'Água, muda-se para a terceira marcha antes de chegar ao que chamamos de Ponto Cego, a entrada do S de Alta, uma curva para a direita que se inicia sem enxergar a trajetória ideal é uma das curvas mais emocionantes de todos circuitos brasileiros. Um dos segredos de uma boa volta é acelerar o mais cedo possível na saída dessa curva para aumentar a velocidade do carro na reta oposta, o trecho em que se anda mais rápido em todo o circuito, aproximadamente 225 km/h.
O fim dessa reta é bem complicado: temos de frear e reduzir para quarta ao mesmo tempo em que se vira o volante para a esquerda e se entra em uma curva de aproximadamente 120 graus. Como se não bastasse, logo em seguida tem mais uma curva para a esquerda que exige nova redução e mais uma freada forte desta vez com o carro ainda mais desequilibrado.
A curva seguinte inicia a parte final da volta. É a Entrada dos Boxes, também lenta, feita em segunda marcha. Nesse ponto, ganha quem tem melhor tração, porque ela é seguida por um aclive que leva à Curva da Vitória, extremamente importante porque desemboca na reta dos boxes, onde acontecem as poucas chances de ultrapassagem. A saída da Vitória é feita com as rodas da esquerda em cima da zebra, de pé no fundo, jogando a terceira, a quarta e a quinta então, já está na hora de reduzir para quarta, virar à direita e começar tudo de novo...

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