Brasília - Ruas coalhadas de câmeras com dispositivo de identificação facial e biométrica e um cadastro digital, o primeiro montado no País sobre terroristas e torcidas violentas para ajudar a planejar a segurança dos grandes eventos que ocorrerão no Brasil a partir do próximo ano até à Olimpíada de 2016, passando pela Copa do Mundo de 2014.
O ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, disse que já começou a trocar informações com os governos de países com histórico de terrorismo e violência esportiva, como Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra, África do Sul, Holanda, Polônia e Argentina. Os bancos de dados com as informações armazenadas por esses países já começaram a chegar.
Cardozo criou na última semana a Secretaria Extraordinária de Grandes Eventos com a missão exclusiva de articular as ações dos diversos organismos policiais brasileiros - federais e dos Estados. O Brasil tem a obrigação de garantir uma segurança eficiente a chefes de Estado, turistas, torcedores e delegações estrangeiras que circularão no País. Uma das paranoias é o risco de terrorismo, que o País não tem tradição de combater.
O mega esquema de segurança, segundo o ministro, será operado a partir de centros de comando e controle, estruturas com tecnologia de ponta para monitorar multidões em movimentos nas ruas, alimentadas por câmaras digitais. Haverá um centro nacional de comando, instalado em Brasília, com um backup no Rio de Janeiro, onde se realizará em 2012 a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável (Rio + 20), com a presença de mais de cem chefes de Estado.
Para o Mundial - e também para a Copa das Confederações em 2013 - serão montados adicionalmente 12 centros regionais de comando e controle, um em cada Estado-sede, além de 12 centros locais, instalados nas arenas dos jogos. Serão instalados de 30 a 40 centros móveis em aeronaves, helicópteros, viaturas e embarcações, de onde serão coordenadas e planejadas as ações de segurança dos megaeventos.
Eles receberão imagens online de tudo que se passa nas ruas e logradouros, enviadas por milhares de câmeras dotadas do Sistema OCR, do inglês Optical Character Recognition (Reconhecimento Óptico de Caracteres). A tecnologia permite identificar caracteres previamente armazenados em um sistema. As informações captadas pelas câmeras são cruzadas com bancos de dados armazenados nas centrais.
As câmeras, com os dispositivos de identificação facial e biométrica, enviarão as imagens aos centros e vão emitir sinal de alerta às autoridades sempre que for identificada uma face humana ou placa de veículo suspeitas.

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