Terrorismo é tema da F-1 em Sepang
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 18 de março de 2004
Livio Oricchio<br> Agência Estado 
Sepang - Ao mesmo tempo em que se preocupavam, ontem, com o enorme desafio de acertar o carro para o calor de mais de 50 graus do asfalto, já para o primeiro treino livre do GP da Malásia, que seria realizado nesta madrugada, os pilotos não se esquivaram de abordar a questão que talvez mais atormenta a todos hoje: o terrorismo. ''Seria maravilhoso se eu pudesse dar à Espanha, em um momento tão difícil como este, uma bela vitória aqui na Malásia'', disse Fernando Alonso, da Renault.
Embora em geral evitem o tema, os pilotos ontem falaram a respeito dos ataques terroristas, talvez sensibilizados com o ocorrido em Madri, há uma semana. Alonso, claro, foi o mais procurado. ''Estava me preparando fisicamente nas ilhas Maldivas, local tão quente quanto aqui, e soube através da imprensa'', comentou o asturiano de Oviedo. ''Entrei em contato com minha família, que me contou os detalhes do que se passou, e confesso que fiquei impressionado.'' O espanhol transformou-se num ídolo nacional com o seu sucesso na Fórmula 1.
Sua vitória, ano passado, na Hungria, a primeira de um representante do país no Mundial, o levou a desfilar em carro aberto pelas ruas de sua cidade. Uma nova conquista, agora em Sepang, como o próprio piloto destacou, daria um pouco de ânimo para a população do país que já se identificou com ele. ''Será difícil vencer aqui, mas não impossível. O que mais irá contar nesta prova é a resistência do carro e nisso estamos bem'', comentou Alonso. Na madrugada de amanhã, a partir das 3 horas, o piloto da Renault disputa a sessão que definirá o grid da segunda etapa do Mundial, que será disputa domingo, às 4 horas. Ano passado Alonso conquistou a pole position do GP da Malásia.
Para Rubens Barrichello, a violência é o que mais o incomoda hoje. ''Ela assusta.''
Michael Schumacher reconheceu, ontem, que Rubinho pode estar com a razão quando afirma que esta é a temporada que mais lhe permitirá ser campeão do mundo. ''Sua performance provou para mim que pode dar outro passo adiante na carreira, mas espero que ele não o dê'', afirmou ontem, em Sepang, alegando que ele próprio está atrás de mais um título, o sétimo.
Para o GP de Bahrein deverão ocorrer mudanças. Enquanto os técnicos da Williams e da BMW buscam de todas as maneiras tornar o FW26 mais rápido, a fim de enfrentar a Ferrari, os pilotos do time inglês davam ontem mais um show de falta de profissionalismo. ''Da próxima vez que Montoya tentar me ultrapassar como fez na Austrália eu o colocarei para fora da pista.'' A declaração, contundente, é de Ralf Schumacher, seu companheiro de equipe. ''Eu tive de tirar o pé para não batermos em Melbourne e ele ainda me acusa na imprensa. Agora vamos bater, assim ele terá do que de fato reclamar'', explicou sua decisão Ralf.


