No masculino, deu o favorito; no feminino, uma zebra. Assim foi a 74ª edição da Corrida Internacional de São Silvestre, ontem à tarde, em São Paulo. O queniano Paulo Tergat - agora trincampeão - venceu com tranquilidade entre os homens, enquanto, entre as mulheres, a iugoslava Olivera Jevtic conquistou o primeiro lugar, superando a favorita equatoriana Martha Tenório. A paranaense Cleuza Maria Irineu foi a melhor brasileira na prova; chegou em quinto. Foi, também, o único atleta brasileiro no pódio ontem.
Tergat abriu vantagem sobre seu principal perseguidor, o sul-africano Elijah Lagat, na subida da Avenida Brigadeiro Luis Antônio, onde geralmente a São Silvestre começa a ser definida. Emerson Iser Bem, paranaense de Santo Antônio do Sudoeste, campeão do ano passado, chegou em sexto lugar. Em segundo lugar ficou o sul-africano Hendrick Ramala.
Paulo Pinto/AEPernas pra que te queroVista geral da prova feminina: 74ª edição da prova bate recorde, com mais de 12 mil atletas inscritosCom o tempo de 51min35s, Jevtic conseguiu superar a duas vezes campeã da São Silvestre (87 e 97) Martha Tenório, do Equador, que chegou em segundo (51min55s). O recorde da prova continua com a queniana Helen Kimayio, que em 93 marcou 50min26s.
‘‘Saí da Europa com menos 10 graus. Aqui estava muito quente, e o ritmo da corrida foi muito forte. Tenho um problema na coxa direita que me atrapalha na descida. Ganhei na subida (da Brigadeiro Luís Antônio)’’, disse Jevtic, usando ao máximo o pouco inglês que sabe. Jevtic, com seu título inédito, deu à Europa a primeira vitória em dez anos. A última fora em 88, com a portuguesa Aurora Cunha.
‘‘Corri com uma lesão na coxa direita e senti muitas dificuldades’’, afirmou a iugoslava. De bonitos olhos verdes e com um jeito tímido, Olivera explicou que também sofreu com o forte calor de São Paulo. ‘‘A minha adaptação ao novo clima foi complicada’’, contou. Quando deixou Belgrado, cidade onde mora, a atleta estava acostumada com uma temperatura de 10 graus negativos. Ela usou muito protetor solar e acabou mais bronzeada no fim da prova.
Apesar das adversidades, ela correu um um bom ritmo e melhorou em 29 segundos a marca registrada por Martha Tenório em 97 - 52min04. O recorde da prova, porém, ficou longe de ser batido. Desde que o percurso foi fixado em 15 quilômetros em 1991, a marca pertence à queniana Hellen Kimayio, de 93, com 50min26. ‘‘Estou muito feliz, pois esta é a principal conquista de minha vida’’, disse. Debutante na São Silvestre, Olivera é campeã européia sub-23 de 10 mil metros.
A melhor brasileira na prova foi Cleuza Maria Irineu, que com 53min56s cruzou a linha de chegada, na avenida Paulista, em quinto. Em terceiro lugar chegou a queniana Jane Ngotho (52min42s) e, em quarto, a chilena Erika de la Fuente (53min33s). Cleuza é paranaense de Uraí (Norte do Estado) e está radicado em Londrina há muitos anos. Ela correu a prova de ontem defendendo a prefeitura de Cascavel.
Contrastando com a serenidade da iugoslava, a alegria de Cleuza Maria Irineu contagiou o público que acompanhou a prova nas ruas de São Paulo e, também, as pessoas que se aglomeraram diante do pódio e da linha de chegada. A corredora de 33 anos recebeu o aplauso dos torcedores, chorou muito e não quis largar a bandeira do Brasil, enquanto caminhava pela Avenida Paulista. ‘‘No meio de estrangeiras de altíssimo nível, consegui levar o nome do meu País ao pódio’’, explicou Cleuza. ‘‘Estou muito contente por isso.’’
Cleuza dedicou a vitória à sua mãe, principal incentivadora, e aos amigos de Cascavel.
Apesar do quinto lugar de Cleuza, as brasileiras não chegaram a ameaçar a hegemonia das estrangeiras que, a partir da metade, já dominavam a prova. A mineira Viviany Anderson Oliveira, principal esperança brasileira, chegou a assumir a ponta da prova nos momentos iniciais, mas não suportou mais de três quilômetros.

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