São Paulo, 28 (AE) - O queniano Paul Tergat precisa apenas de mais uma vitória para entrar no seleto time dos tetracampeões da Corrida Internacional de São Silvestre. Por enquanto, apenas três corredores venceram a prova quatro vezes: o belga Gaston Roelants (1964, 65, 67 e 68) e os equatorianos Victor Mora (72, 73, 75 e 81) e Rolando Vera (86, 87, 88 e 89). Tergat, que ganhou em 95, 96 e 98, acha possível igualar a marca, mas não faz da preocupação em fazer história uma grande obsessão.
Tergat desembarcou hoje pela manhã no Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, após 24 horas de viagem em um vôo que saiu de Nairóbi
capital do Quênia, e fez conexão na Itália para chegar ao Brasil. Não esboçou nenhum sinal de cansaço, pelo contrário, mostrando muita disposição foi dar algumas voltas no Parque do Ibirapuera, concedeu uma entrevista coletiva e voltou para treinar.
Ex-sargento da Força Aérea do Quênia, Tergat aprendeu a ser diplomático. Por isso, toda vez que chega ao Brasil rejeita o rótulo de favorito. Diz que a São Silvestre é uma prova muito difícil e muitos corredores têm condições de vencer. A derrota em 1998 para o paranense Emerson Iser Bem mostrou que, de certa forma, não se pode cantar vitória antes do tempo. Tergat não disputa uma prova oficial há dois meses. Neste período, ficou treinando no Quênia para brilhar novamente nas ruas de São Paulo.
"Adoro competir no Brasil, o público nos incentiva durante todo o percurso, os adversários são fortes e o calor é um obstáculo a mais a ser superado", define Tergat. "Por isso, não posso prever se vou conseguir vencer a prova pela quarta vez ou até mesmo estabelecer um novo recorde para o percurso." Em 1995, o queniano alcançou a melhor marca para o percurso de 15 quilômetros, com 43min12. "Foi uma corrida dura, na qual competi diretamente com o Simon Chemoiywo", lembra. "Como a prova é muito tática, não se pode prever o tempo do vencedor."

mockup