Terceirona tem status de profissional e histórico de várzea
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segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Thiago Mossini<br>Reportagem Local 
Há dez dias, o técnico Walbert Martins, o Knário, do Cambé, protagonizou mais um de seus shows ao ajoelhar-se no gramado e pedir para ser algemado por um policial. Na entrevista após o incidente, ele disparou: "Somos a várzea da várzea". Foi a melhor definição do torneio que o time dele disputa. No papel, o nome é Terceira Divisão do Campeonato Paranaense, tem status de profissionalismo, mas na prática, perde para muito torneio varzeano Brasil afora. A rodada do final de semana provou a tese mais uma vez. Com muitos jogadores machucados e sem querer gastar com a viagem até Francisco Beltrão, a Portuguesa Londrinense decidiu usar seu direito de não comparecer a um jogo do campeonato e preferiu perder por W.O. para o time local.
Pode até parecer piada, mas é verdade. O regulamento dos torneios da Federação Paranaense de Futebol (FPF) permite que um clube falte a uma partida. A punição só ocorre em caso de duas faltas, quando aí sim ocorre a exclusão do campeonato e as punições financeiras.
O W.O. da Lusinha foi o segundo no torneio, que ainda está na quarta rodada. O União de Nova Fátima já havia deixado de comparecer a seu compromisso contra o Sport de Campo Mourão, em Rolândia. E olha que o time faltoso era o mandante do jogo. Assim como os clubes usam essa brecha para economizar, também podem manipular a classificação final do campeonato de acordo com suas necessidades.
Edson Moretti, presidente da Portuguesa, justifica a falta alegando que havia pedido o adiamento do jogo por causa do excesso de atletas suspensos e machucados. Como não teve o pedido acatado, preferiu não viajar. "Eu iria para o jogo com 12 atletas apenas, iria rodar 600 quilômetros e iria gastar R$ 6 mil. Preferimos usar a prerrogativa que temos", justificou o cartola.
Ele reconhece que a atitude tira a credibilidade tanto do campeonato como do clube que adota a postura, mas afirma que a atitude é também uma forma de protestar contra o prejuízo financeiro. "Tira a credibilidade sim, mas temos que ter um pouco de indignação também", afirmou, relatando o hábito da FPF de escalar profissionais de Curitiba para trabalhar em jogos no interior, o que aumenta as despesas com arbitragem e representantes da entidade.
Média de público
O prejuízo, aliás, é inevitável na Terceira Divisão. A média de público é de 136 pagantes por jogo. Isso graças ao Francisco Beltrão, a equipe mais tradicional do torneio, que conseguiu levar, na estreia, por exemplo, 740 pagantes. A Lusinha, somando as duas partidas em que teve o mando de jogo, conseguiu reunir 44 testemunhas, sendo que no empate com o São José, foram nove pagantes. O Colorado, por exemplo, manda seus jogos em Cianorte e não conseguiu vender uma entrada sequer nas duas partidas que fez.
O time, inclusive, protagonizou outro episódio constrangedor. Na derrota para o PSTC, por 1 a 0, não havia aparelho de som para tocar os hinos do Paraná e do Brasil.
A maioria dos clubes pertence a empresários e, por isso mesmo, são novos e não possuem identificação com a cidade. Automaticamente, não têm torcida. Alia-se a isso, o fato de terem que mandar seus jogos em locais distantes por causa da falta de estádios aptos. O que espanta de vez qualquer simpatizante do clube.


