São Paulo - Carlos Alberto Parreira está vivendo intensamente os últimos dez meses como treinador da seleção brasileira. Já que ele diz que abandona o cargo depois da Copa da Alemanha, tem aproveitado cada oportunidade para mostrar o que pensa sobre futebol. Ontem, por exemplo, falou para um congresso de relações públicas em um hotel de luxo em São Paulo.
Antes deu uma entrevista descontraída. Mostrou que a sua tolerância com os clubes acabou. Não vai liberar Robinho e Ricardinho do amistoso contra a Croácia, em Split, dia 17. Disse que Robinho não deve ser visto como 'salvador da Pátria' do Real Madrid. Afirmou que se Ronaldo não estiver bem na Copa do Mundo pode não ser chamado. E mais uma vez reafirmou que time 'maravilhoso' no ataque não ganha Copa.
Agência Estado: Você acha que tinha mesmo chegado a hora de o Robinho ir para o Real Madrid?
Carlos Alberto Parreira: Tinha sim. O Robinho ficou o tempo ideal no Santos. A pressão era muito grande. Ele queria ir. Acho ótimo para o Robinho ir e amadurecer. Mas eu quero dizer bem claro: ele não será o salvador da pátria do Real Madrid. Ele é mais um ótimo reforço, só isso. Sozinho, o Robinho não fará nada de diferente.
AE: A diretoria santista quer a liberação do Robinho e do Ricardinho do amistoso contra a Croácia para que joguem pela Copa Sul-Americana (dia 17 de agosto). Haverá essa liberação?
Parreira: Não. De jeito nenhum. Se depender de mim, os dois não serão liberados mesmo. Se houver uma ordem de cima (do presidente Ricardo Teixeira) aí é outra história.
AE: Você chamou o zagueiro Alex. Então há ainda esperança para novos jogadores na Copa do Mundo? Quem sabe surja uma revelação no Brasileiro...
Parreira: Mostrei que o grupo está bem adiantado, mas não está fechado. Quero acompanhar mais de perto o Alex. Minha base está formada e as pessoas sabem disso. O jogador teria de ser um gênio para, seis meses antes da Copa, me convencer que deveria ser chamado.
AE: Você chamou de volta o Ronaldo, que não quis participar da Copa das Confederações. Se ele não estiver bem na época da Copa do Mundo, será chamado de qualquer maneira?
Parreira: Não. Não existe isso na seleção brasileira. O Ronaldo sabe muito bem que, se não estiver bem na época da Copa, não será convocado. Não existe ninguém insubstituível. Vencemos a Copa das Confederações sem o Ronaldo. No futebol brasileiro não há dependência de um só jogador. Seja ele quem for.
AE: Com tantos atacantes de talento, não é um desperdício não utilizar todos?
Parreira: O Adriano, que é um jovem de 22 anos, deu uma ótima entrevista quando foi perguntado se o Brasil não deveria colocar seis atacantes e ir para o Mundial. Ele disse que o time não daria certo. E é o que eu digo. Uma equipe precisa ser equilibrada. O importante é ser forte na frente e forte atrás, saber se defender para ganhar. O Brasil chegará assim ao Mundial, mesmo tendo essa excelente safra de atacantes. Não jogarão todos.

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