Tensão toma conta do Corinthians
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quinta-feira, 03 de novembro de 2005
Fábio Hecico<br> Agência Estado 
São Paulo - O desequilíbrio é geral no Corinthians. Após dois tropeços seguidos no Campeonato Brasileiro e a perigosa aproximação de Internacional e Fluminense na luta pelo título, o elenco já não demonstra o otimismo de dias atrás. Ao contrário, não consegue esconder a apreensão, o medo e o nervosismo.
Considerado um dos vilões do time na derrota por 2 a 1 para o Cruzeiro, na quarta-feira fez o pênalti bobo que ocasionou o segundo gol , o volante Fabrício desembarcou ontem em São Paulo bastante descontrolado. E retrucou o pedido do presidente do clube, Alberto Dualib, para a sua não escalação nos próximos jogos.
''O Dualib está com idade um pouco avançada e fala umas besteiras de vez em quando'', desabafou Fabrício, não temendo represálias ou rescisão de contrato. ''Ele dá a opinião dele e eu dou a minha. Só que achei errado, não foi profissional agir desta maneira'', reclamou. ''Mas como ele é o todo poderoso, temos de ouvir e ficar quieto.'' Logo depois, o volante reconheceu perante Dualib que cometeu grave falha e pediu desculpas, que foram prontamente aceitas.
Na verdade, o jogador está com os dias contatos no clube e não tem mais o respaldo de grande parte dos companheiros. No vestiário do Mineirão, por exemplo, foi cobrado pelo atacante Nilmar, com o dedo em riste. Mas, ontem, Fabrício desmentiu o caso. ''Não teve nada disso, são coisas que inventam para tumultuar.''
Nos últimos cinco jogos, Fabrício fez três pênaltis bobos como o do jogo com o Cruzeiro contra o Palmeiras, deu carrinho em Diego Souza e diante do São Paulo, atropelou Mineiro. Ele garante, contudo, não ter colocado a mão na bola no lance que definiu a vitória cruzeirense. ''Fiquei muito chateado, pois não foi pênalti. A bola bateu no meu peito, junto com ombro'', defendeu-se Fabrício. ''O juiz interpretou errado. Sempre domino a bola com o braço aberto.''
O primeiro gol do Cruzeiro também saiu em pênalti. E em toque de mão de Wendel. ''Conversamos para dar força ao Wendel e Fabrício, afinal, poderia ser qualquer um'', disse o também volante Marcelo Mattos, um dos poucos ainda sensatos no elenco. ''Não é hora de procurarmos culpados.''
Apesar de ainda estar na liderança e seguir com vantagem, a pressão pela conquista do título começa a pesar sobre o jovem time do Corinthians. E ninguém mais consegue falar a mesma língua. ''Temos de trabalhar o corpo e a mente para o jogo contra o Santos. E ter calma no momento de decidir'', afirmou o meia-atacante Carlos Alberto. ''Apesar do risco, ainda só depende da gente. Mas o grupo sentiu um pouquinho a pressão''.


