Começar cedo em qualquer profissão pode não significar sucesso garantido, mas pode ser um importante passo para uma carreira vitoriosa. No caso dos esportistas, o início cada vez mais cedo é uma realidade. Tornou-se comum ver crianças saindo de casa antes mesmo de entrar na adolescência sonhando em brilhar no mundo esportivo.
Neste cenário que exige amadurecimento cada vez mais repentino, os jovens tenistas estão entre os que mais sofrem. Diante desta realidade, são obrigados a praticamente interromper suas infâncias, deixar casa, família e amigos para trás pelo sonho de brilhar e faturar títulos no glamouroso circuito mundial e suas 'poupudas' premiações.
O catarinense João Hinsching tem apenas 14 anos, mas já não sabe o que é passar um bom tempo em casa na companhia dos pais desde os 12. Ele conta que o início foi difícil, mas que o sonho de tornar-se um tenista profissional falou e continua falando mais alto. ''É diferente no começo, pois você nunca viaja e de repente, começa a viajar direto, se virar sozinho. Foi difícil, mas hoje já acostumei'', lembra o tenista.
Desde o início da semana em Londrina, onde disputa a 5 e 6 etapas do Circuito Sul-Brasileiro, o jovem esportista garante que segue concentrado no torneio, mas conta os minutos para rever a família. ''Se tudo der certo, na segunda-feira estou em casa'', imagina ele, que está fora de casa já há um mês e que em 2011 passou cerca de 37 semanas longe de Blumenau, sua cidade natal.
Ficar longe da família e dos amigos é um dos motivos que levam muitas meninas a desistirem da modalidade. Talvez por isso, o tênis feminino brasileiro sofra com a falta de grandes destaques. Um ano mais velha que o companheiro de circuito, Liz Ghellere, 15, lembra bem do início das viagens. ''Para a mulher é um pouco mais complicado. Tem o lado dos pais, de deixar uma filha sair de casa, mas depois é tranquilo, acostuma'', reforça a tenista.
Mais habituada à rotina, Liz vê também o lado positivo em toda essa correria. ''A gente cresce, aprende muito e amadurece mais rápido, fica mais independente. Também conhece muita gente. É o lado bom de tudo isso'', destaca ela, que tem algumas maneiras para matar a saudade da família. ''Ligo todos os dias para conversar e hoje, com as redes sociais, fica muito mais fácil. Quando não estou jogando, estou no celular'', finaliza.

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