Tenistas apóiam decisão de Guga
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segunda-feira, 24 de abril de 2006
Chiquinho Leite Moreira<br> Agência Estado 
São Paulo - O fato de Gustavo Kuerten estar fora do Torneio de Roland Garros deste ano, para investir numa completa recuperação física, ganhou apoio de grandes nomes do tênis nacional, como tenistas e técnicos. O atual capitão da equipe brasileira da Copa Davis, Fernando Meligeni, elogia a determinação de Guga e sua impressionante força de estar lutando contra as dores e a lesão no quadril há tantos anos. Outros como Luiz Mattar, o Nico, revelam a esperança de ver novamente o tricampeão de Paris em ação e comentou: Estava indo a Paris porque ele (Guga) iria jogar. Agora não sei mais se vou viajar.
O plano de Guga em primeiro cuidar da parte física e só depois pensar na volta ao circuito transformou-se em unanimidade entre os especialistas em tênis. O ex-jogador Danilo Marcelino advertiu para o fato de que Kuerten provavelmente não suportaria disputar jogos em melhor de cinco sets. Não adiante ele (Guga) querer voltar por cima, jogando um Grand Slam...afinal, não está agüentando nem jogos de três sets. Precisa promover a volta em torneios menores.
Para Nico Mattar seria muito desapontamento entrar em quadra no lugar em que teve tantas glórias para jogar com limitações e não hesitou em concordar. Eu faria a mesma coisa e deixaria de disputar Roland Garros. O ex-treinador Marcelo Meyer foi taxativo. Primeiro tem de curar a doença, depois pensar em jogar tênis.
O tênis atualmente não dá espaços para jogadores sem totais condições. Como lembrou o ex-tenista e comentarista do Sportv, Dácio Campos, até mesmo 100% está difícil, imagine longe de seu melhor, advertiu.
A luta de Guga e sua determinação também comoveram os outros tenistas, como enfatizou Meligeni. É fácil falar que ele (Kuerten) já deveria ter parado, pois, na verdade, pode levar uma vida normal, surfar, correr e tudo mais sem dores, contou o técnico da Copa Davis. Mas está há semanas nos Estados Unidos, numa rotina dura e sofrida. Lembro que nos jogos do Brasil contra o Equador, ele ligou todos os dias para Cuenca e ao mesmo tempo em que nos dava um incentivo dizia estar sofrendo com o forte frio no Colorado e que seu desejo era estar jogando.
Guga vem lutando contra as dores no quadril desde setembro de 2001 quando, após ter feito uma maratona diante de Max Mirnyi, seu corpo deu o aviso na partida seguinte ao perder para Yevgeny Kafelnikov na quartas-de-final do US Open, sem conseguir quase andar no set final.
Caiu logo depois na estréia do Brasil Open e buscou tratamento clínico até passar pela primeira cirurgia em 26 de fevereiro de 2002, em Nashville, Estados Unidos, com Tomas Bird. Passou pela segunda cirurgia em 21 de setembro de 2004, com Marc Philippon, em Pittsburgh, e agora faz tratamento no Colorado, onde está a nova clínica do cirurgião.


