Tenista paranaense quer participar do Mundial
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quarta-feira, 19 de maio de 1999
Lúcio Flávio Moura Especial para a Folha 
A iguaçuense Júlia Arguello, 13 anos, uma das maiores esperanças do tênis feminino brasileiro, está aguardando a chance de disputar pela primeira vez um Campeonato Mundial de Equipes na categoria 14 anos, que em este ano acontece na República Tcheca, em agosto. A convocação da equipe brasileira deve ser feita em julho.
Sem perder nenhum set em suas cinco vitórias no Campeonato Sul-Americano, Júlia liderou a campanha da seleção brasileira no torneio, vencido pela Colômbia. No confronto final, domingo em Uberlândia (MG), o Brasil perdeu por 2 a 1, mas garantiu vaga no Mundial, considerado a maior vitrine para novas tenistas.
Júlia, que até o ano passado era a primeira colocada no ranking para jogadoras nascidas a partir de 1985, foi cotada para disputar o Mundial do ano passado, mas acabou não sendo convocada. Foi um impacto muito negativo na carreira dela, lembra o pai, Júlio Arguello, um argentino de 42 anos que treina a filha desde o início da carreira.
Para o Mundial deste ano, as chances de convocação são muito maiores. A tenista vem disputando torneios para jogadoras até 18 anos. Ela já está na 20ª colocação do ranking para nascidas a partir de 1981.
Não há adversárias à altura na categoria, então para que ela não estacione tecnicamente, achamos melhor que ela passasse a enfrentar jogadoras mais velhas, explica o pai-treinador.
A adolescente treina cerca de 17 horas por semana em quadra rápida, no Country Clube de Foz do Iguaçu. Do outro lado da quadra, está sempre um garoto de sua idade, que na maioria das vezes, sai derrotado. Para ela, o forte de seu jogo é sua potente direita e o revés, praticado, segundo o pai, com a perfeição de uma profissional.
Com 1,72 metro de altura, Júlia está sendo treinada com métodos europeus, que imprimem um ritmo forte de atividade física, mesmo durante as competições. É a única chance de ela conquistar o profissionalismo, lembra a mãe, Susana, auxiliar do marido na preparação da filha.
ÍdolosSem resultados internacionais expressivos há décadas, o tênis feminino brasileiro não criou ídolos para que Júlia admirasse. Steffi Graf e Gustavo Kuerten são os jogadores que mais me ensinam, não perco uma partida pela TV, conta a tenista, que decora seu quarto com um imenso pôster de Guga.
A maior preocupação dos Arguello está longe das quadras. Para se firmar como grande tenista, Júlia pensa em disputar nos próximos dois anos torneios na Europa e Estados Unidos. Precisamos de um contrato de patrocínio de, no mínimo, dois anos. Até lá, a Júlia já terá provado que é uma grande tenista, arrisca Júlio Arguello.


