Tênis (Gisele Miró)




Para cima de
US$ 1 milhão
Um promotor, desolado, me confidenciou que, para realizar um torneio profissional da ATP, com premiação superior a 75 mil dólares, são necessários em torno de 500 mil dólares como garantia. O valor deve ser depositado com antecedência mínima de um ano da data do torneio. Apesar das exigências, um torneio que seria realizado no Brasil só não saiu do papel porque Gustavo Kuerten, principal atração, não confirmou presença. O cachê oferecido pelos patrocinadores do evento chegou a US$ 250 mil.
Falando em dinheiro, Marcelo Ríos foi o tenista que mais faturou este ano. Ele somou, até 30 de agosto, US$ 1,651 milhão em prêmios. Rafter, Sampras, Moya, Corretja e Korda também ultrapassaram US$ 1 milhão até o final do mês passado. Mas foi a suíça Martina Hingis quem mais ganhou até agora. Ela faturou nada menos do que US$ 1,832 milhão. Novotna, Davenport e Arantxa Sanchez provam que o tênis feminino não perde em ‘‘cifras’’ para o masculino. Todas superaram US$ 1 milhão. Guga recebeu oficialmente US$ 630 mil.
Outro que poderia ter entrado para a história do tênis é Jacco Eltingh. Foi campeão de duplas no Aberto da Austrália ao lado de Jonas Bjorkman, ganhou Roland Garros e Wimbledon. Mas seu companheiro no US Open, Paul Haarius, desistiu do torneio e viajou para acompanhar o nascimento de seu filho Lars, tirando de Jacco a chance de ser o primeiro tenista a conquistar o Grand Slam de duplas.
Guga decepcionou e perdeu na segunda rodada do US Open para um adversário ‘‘teoricamente’’ fácil. Depois de vencer o primeiro set com extrema facilidade, Guga passou a cometer muitos erros, fazendo todos os pontos da partida - incluindo os do adversário. Perdeu a confiança, a paciência e a partida. Sua inesperada derrota frustrou a torcida, que esperava vê-lo enfrentando Patrick Rafter na rodada seguinte.
Steffi Graf foi eliminada do US Open por Patty Schnyder. Seu retorno às quadras está longe de lembrar a antiga forma, quando Steffi era imbatível.
Martina Hingis e André Agassi nasceram e cresceram com a difícil missão de se tornarem campeões de tênis. Deram certo, ambos chegaram ao topo do ranking mundial e ficaram milionários, exatamente como seus pais haviam planejado. Martina cresceu para se tornar Martina (Navratilova). André, irmão caçula da família Agassi, de tenistas frustrados e espancados, foi o único que alcançou a fama e a fortuna. A polêmica cresceu e o assunto passou a ser notícia, com a denúncia no US Open da tenista Mirjana Lucic, vítima das agressões do pai a cada derrota. Por incrível que pareça, é comum vermos pais que não medem esforços (dos filhos) nem tapas (nos filhos) para alcançar a fama e a fortuna. Mary Pierce e a problemática Jennifer Capriatti também ‘entregaram’ seus ambiciosos pais. Ambas confessaram que apanhavam quando não correspondiam na quadra.
Gisele Miró é tenista profissional e escreve sempre às terças-feiras na Folha

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