All England Lawn Tennis and Croquet Club
Wimbledon é de dar água na boca. Mesmo quem não gosta de tênis, diverte-se com a movimentação ao redor das quadras. Tem museu, restaurantes, bares e lojas, pessoas famosas e morango com chantilly a vontade. O All England Lawn Tennis and Croquet Club, localizado na Church road, sw 19 em Londres tem menos de 400 sócios e a maneira mais fácil de se tornar associado é vencer um título de simples em Wimbledon.
O torneio reserva certas regalias para os jogadores, como de praxe nos principais campeonatos do circuito internacional. Tem carro com chofer, hotel, alimentação, convites para os mais diversos programas. Quando disputei Wimbledon tive a oportunidade de assistir Tina Turner em Wembley de camarote e a estréia do Fantasma da Ópera no gargarejo. Basta mostrar o crachá do mais famoso torneio do mundo que as portas de Londres se abrem.
Quando os tenistas chegam no All England, ainda de manhã para o ‘‘warm up’’, os portões estão fechados para o público que lota os quarteirões ao redor do clube. Dez minutos antes do meio dia o diretor do torneio anuncia a abertura dos portões. Os tenistas se apressam aos vestiários, salas de espera e lazer porque no pátio é quase impossível caminhar. Apesar de ter disputado Wimbledon cinco anos consecutivos e de ter passado uma rodada em 89, não pude saber o que há de tão especial no vestiário reservado às vinte melhores tenistas do mundo. Único lugar em Londres que meu crachá não conseguiu entrar.
Em 86 cheguei nas finais do juvenil e tive a oportunidade de vivenciar Wimbledon até o fim. Os vestiários, restaurantes e as salas anteriormente lotadas de tenistas estavam vazias. Podia-se treinar sem reservar as quadras. Tirando os finalistas todos os outros jogadores já haviam partido. Senti tristeza e solidão. Wimbledon estava terminando. Esperei no vestiário o ‘‘ok’’ da organização e segui escoltada por dois guardas até entrar na famosa sede do Clube, onde a família real aguardava a final entre Martina Navratilova e Hana Mandlikova. Ficamos as quatro, numa salinha reservada, esperando a ordem do diretor de seguir às quadras. Martina estava em casa, havia quatro posters enfeitando as paredes. Do Borg, do McEnroe, da Chris Evert e dela é claro. Mandlikova parecia derrotada antes mesmo de entrar na quadra. Minha adversária nada demonstrava num comportamento tipicamente russo. Eu estava nervosa, a única coisa que reparei é que parecia sair fumaça de tanta gente na quadra central. Quando me dei conta o juiz já dizia ‘‘game, set and mach’’ Miss Meskhi.
Gisele Miró é tenista profissional e escreve sempre às terças-feiras na Folha

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