Trocando as bolas
Vejamos o que aconteceria se tenistas, padelistas e squashistas trocassem as bolas, raquetes e esportes. Um bom tenista não teria dificuldade para jogar padel mas, provavelmente, nas primeiras tentativas não aprecie o esporte. No início tem-se a impressão de que o padel nivela por baixo. Principalmente quando se perde para um ‘‘bola murcha’’.
O padel é, entre os esportes que utilizam raquete, o mais fácil de aprender a jogar. Sempre disputado em duplas, sua característica marcante é o contra-ataque. A raquete mais curta, parecida com a de frescobol, facilita a execução dos golpes. Aprendendo utilizar as paredes e dominando alguns golpes específicos como a bandeja, jogar bem é só uma questão de treino e paciência.
Dificilmente um padelista se sairia bem jogando tênis, esporte mais técnico e com grande variedade de golpes. Já os melhores padelistas do mundo são ex-tenistas.
A mesma dificuldade sentiria um jogador de squash ao trocar a bolinha preta de borracha pela de feltro amarela. O vício de utilizar demasiadamente o pulso ao golpear a bola prejudica na hora de executar os golpes no tênis. No padel, em razão da boa noção de ‘‘parede’’, o squashista se sairia melhor.
O padel e o squash são esportes derivados do tênis. Por esse motivo os tenistas têm maior facilidade de adaptacão. Se o tenista for bom de voleio ou jogar bem dupla, com certeza irá gostar de padel, que tem como objetivo ganhar a rede. Padelistas e principalmente tenistas, bem condicionados fisicamente, poderão vir a jogar bem squash - esporte que requer muito reflexo e agilidade.
Kiko Frisone (campeão de squash) e Carlos Alberto Kirmayr, um dos principais nomes do tênis brasileiro, costumam variar na prática de esportes. Ambos se adaptam facilmente àqueles com raquete e bola. Como eles, vários esportistas procuram em outros esportes recreação ou o fazem para complementar seus treinamentos.
Se você não for principiante com intenção de se tornar um campeão, ou já tenha seus golpes formados e consolidados, vale a pena variar.
Gisele Miró é tenista profissional e escreve sempre às terças-feiras na Folha

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