No tênis é proibido qualquer tipo de instrução durante a partida. Mas isto não significa que o técnico não seja importante. Pelo contrário, ele é fundamental na preparação do atleta, que deve demonstrar na quadra estar preparado para enfrentar todas as situações de jogo sozinho.
A escolha do técnico é decisiva em todas as fases do tenista. Na aprendizagem, por exemplo, um bom técnico saberá a importância de investir na construção de uma base sólida, mesmo que isto possa significar derrotas no começo da carreira. No Brasil, onde não é necessário diploma de técnico e muito menos curso de Educação Física, é comum vermos professores desconhecidos formarem campeões nas categorias menores.
Qualquer criança habilidosa ou treinada mais tempo do que o normal para sua categoria pode conquistar um título brasileiro até 12 anos. Mas apenas quem se preocupa com o trabalho de base tem condições de seguir adiante. A partir dos 14 anos podemos, realmente, identificar quem ‘‘ensinou’’ e quem ‘‘enganou’’. Infelizmente, nesta fase, é difícil reverter os vícios adquiridos e o jogador acaba desistindo por não conseguir evoluir.
Ser bom técnico não significa, necessariamente, ter sido um grande jogador. Para ensinar tênis deve-se conhecer profundamente os golpes e suas variações e saber transmiti-los de maneira clara e objetiva. Num estágio mais avançado, a partir dos 14 anos, o técnico deve ser capaz de treinar e preparar seu aluno técnica e taticamente. Nesta fase, o tenista precisa de bom condicionamento físico e psicológico. Se o técnico não possui experiência nestas áreas, é necessária a contratação de especialistas.
O Larry Passos, técnico do Guga, é um exemplo de bom treinador. Dedicado e estudioso, só teve seu trabalho reconhecido no ano passado em Roland Garros. Quem conhece o Larry sabe que há mais de vinte anos ele faz um trabalho sério e competente.
Quanto melhor o nível do jogador, maior a dificuldade de se encontrar um técnico. Nesta fase, além de todas as qualidades citadas acima, um bom treinador dificilmente escapa de ter sido um bom profissional de tênis ou haver adquirido muita experiência no ramo. Para o Larry, falta um pouco de experiência como treinador de um ‘‘top ten’’, mas ele compensa as adversidades através da confiança depositada nele pelo Guga. Como Guga ainda é jovem, talentoso e tem muito chão pela frente, vale a pena acreditar em Larry e torcer para que ambos encontrem a fórmula da volta ao seleto grupo dos melhores do mundo.
Gisele Miró é tenista profissional e escreve sempre às terças-feiras na Folha

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