Tênis (Gisele Miró)
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 22 de dezembro de 1998
De pai (mãe) para filho (filha) 
De olho no futuro do tênis paranaense, encontrei dentro de casa uma pequena promessa. Apenas com cinco anos de idade, raquete e bolinha (especiais para a idade) na mão, Isabela não se cansava de repetir: Quando crescer vou ser tenista como minha mãe. É claro que eu gosto da idéia, mas como ela ainda é muito pequena, completou recentemente seis anos, tomo minhas precauções. Em primeiro lugar cuido para que o aprendizado seja o mais recreativo possível. Como a Isabela gosta de desafios, estipulo algumas metas e suas recompensas. Criança aprende com muita facilidade, portanto capricho nos meus gestos e movimentos que servem como exemplo e são imitados. Deixo as difíceis regras e contagens de lado, o que importa nesta idade é o prazer de acertar a bolinha, desenvolvendo a coordenação e o timing. A Isabela evoluiu rapidamente, já é difícil segurá-la na área de saque (conhecida como T). Minha primeira providência foi trocar para uma raquete júnior, já que ela não quer mais jogar com as bolinhas especiais e as oficiais são pesadas demais para as raquetes infantis. Começamos sempre com um breve aquecimento seguido de alongamento, depois trocamos algumas bolas da linha do T antes de ir para o fundo. Nosso bate bola costuma durar pouco tempo dentro da quadra. A Isabela prefere brincar de tênis comigo no paredão, onde consegue rebater um grande número de bolas sem errar. Sempre deixei a Isabela bem à vontade, sem impor um tipo de empunhadura para seus golpes. Aos poucos estou corrigindo sua esquerda (com uma mão) para que ela possa bater na bola com maior facilidade e naturalidade. Cuido sempre para que ela gire o tronco antes de bater na bola e faça a terminação correta, movimentos básicos para um bom golpe.
Não existe uma idade certa para se começar a praticar esporte. O que deve ser respeitado são os limites de cada um. Minhas filhas estão na natação desde os quatro meses de idade. É claro que nesta idade é impossível aprender a nadar, mas o bebê, por exemplo, aprende rapidamente a bloquear a respiração debaixo dágua. Os esportes, inclusive o tênis, podem perfeitamente ser adequados conforme a idade e necessidade de cada um.
Poucos pais têm conhecimento de sua importância na formação esportiva dos filhos. Pensam que basta contratar um bom técnico e equipar os filhos com a raquete e o uniforme do ídolo. Meu pai foi decisivo na minha carreira. Me ensinou diversos esportes e quando percebeu que tinha vontade e vocação para o tênis, passou a ler sobre o esporte e aprendeu a jogar. Travamos duelos durante um bom e saudoso tempo. Sigo o exemplo dele com minhas filhas. Como elas ainda são muito pequenas, a Daniela tem quatro anos e a Rafaela um, entro com elas na piscina para aula de natação. As vezes brincamos de vôlei com bexiga e chutamos bola juntas. Mas o que elas mais gostam é de brincar e bagunçar minhas raquetes, troféus e bolas.
Gisele Miró é tenista profissional e escreve sempre às terças-feiras na Folha


