Todos que praticam algum esporte já escutaram muitos conselhos sobre a nutrição ideal para esportistas. A lenda de que os esportistas necessitam de uma quantidade extra de proteínas vem de um passado bastante remoto na Grécia, onde o esporte era uma verdadeira arte. Os técnicos e os nutricionistas achavam e escreviam coisas como ‘‘comer antílopes para correr mais rápido’’ ou ‘‘comer cabrito para pular mais alto’’, ou ainda ‘‘devorar carne de touro para aumentar a força física’’.
Rimos destas idéias ridículas, mas que diferença há comparando com as dietas ricas em proteínas recomendadas nos dias de hoje? A proteína é a estrutura primária do nosso corpo, mas fornece pouquíssima energia imediata para pessoas ativas. Muitos atletas, mesmo os profissionais, consomem mais proteínas do que precisam. O excesso de proteínas é convertido em açúcar e gordura e é armazenado em várias partes do corpo. Excesso de proteínas (mais de 80 gramas por dia) significa corpo gordo e não forte! O metabolismo da proteína libera substâncias tóxicas, obrigando o fígado e os rins a trabalhar em dobro. Comer alimentos protéicos em excesso dificulta a performance, diminui a resistência e desidrata o corpo.
O sal é o mineral mais abundante no sangue e pessoas muito ativas precisam de aproximadamente meio grama por dia. Você provavelmente obtém muito mais do que isto em seus alimentos, sem contar o uso do saleiro. Técnicos profissionais, treinadores e preparadores físicos - que deveriam saber melhor mas ainda insistem em recomendar a seus atletas a chuparem tabletes de sal antes, durante e depois da competição - derrotam seus atletas mais do que seus próprios adversários.
Não pode haver erro maior do que jejuar antes de uma competição. Seu organismo necessita de um acúmulo normal de energia que requer um perfeito balanço de proteína, gordura, carbohidrato, vitaminas e sais minerais. O correto seria se alimentar duas horas antes do jogo, de alimentos ricos em carbohidrato complexo: arroz (de preferência integral), pasta, batata, grãos etc. Este tipo de alimentação também é recomendado para repor o açúcar no sangue e ajudar na recuperação do organismo após os jogos.
A alimentação com muita proteína e gordura e pouco carbohidrato produz glicogênio para no máximo 1 hora de esforço físico. A típica dieta mista produz glicogênio para no máximo 90 minutos de esforço físico. A dieta de carbohidrato permite duas horas de esforço devido ao alto armazenamento de glicogênio no músculo.
Quando você quer ganhar ou perder peso, a escolha dos alimentos é tão importante quanto a quantidade. Kilocalorias contam, mas dependem de cada indivíduo. Uns, devido ao sistema de metabolismo, queimam mais calorias do que outros. Por isso, contar quantas calorias você come por dia pode ser uma experiência frustrante. Os carbohidratos são os únicos alimentos que são queimados e transformados em dióxido de carbono, que é eliminado através da respiração. Acredite: você pode literalmente comer para vencer!
Gisele Miró é tenista profissional e escreve sempre às terças-feiras na Folha

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