Tênis (Gisele Miró)
Tênis (Gisele Miró)
Adversidades
Um dos principais apelos do tênis é a sua dinâmica. O lugar, o adversário, e como você joga, mudam constantemente. Mas, a mais frustrante adversidade é a que não se pode controlar: a natural. Bjorn Borg odiava jogar à noite, a iluminação artificial prejudicava radicalmente seu desempenho. Não havia como Borg controlar seus horários de jogos, muito menos impedir o pôr-do-sol. Alguns jogadores odeiam jogar em dias muito frios ou muito quentes, outros não aceitam a torcida adversa e a maioria não sabe jogar com vento. Jogadores que sacam bem ou gostam de bater forte na bola detestam jogar com vento.
Já aqueles que preferem o jogo defensivo no fundo da quadra saem-se melhor, porque estão mais acostumados a situações de emergência e conseguem devolver as bolas por mais complicadas que pareçam. No vento você deve estar sempre preparado para lutar muito e tentar rebater qualquer bola. Quando treinar no vento (e você deve fazê-lo) estude como a bolinha pula, o que o vento faz nos golpes com topspin e slice. Procure saber, por exemplo, se consegue boas passadas e quais ajustes devem ser feitos no saque.
É desencorajador jogar com o vento, porque ele é um grande nivelador e permite que jogadores mais fracos muitas vezes derrotem jogadores melhores. Ao vento você terá que improvisar mais que o habitual porque, constantemente, a trajetória da bola é afetada. A bolinha pode pular mais rápido ou morrer e, muitas vezes, um golpe inofensivo do adversário pode se tornar difícil de rebater. Verifique o tipo de batida que funciona melhor de cada lado da quadra. Topspin será melhor de um lado enquanto o slice funcionará melhor do outro. Será fácil passar seu adversário de um lado da quadra e praticamente impossível do outro. Esqueça de tentar colocar seus golpes com perfeição e entenda que todo mundo tem problemas jogando com vento.
Depois do jogo dedique-se à análise de como o vento afetou seu desempenho. O que aconteceu, por exemplo, com o seu topspin de esquerda a favor do vento.
Aceite o fato de que a luz artificial prejudica sua precisão ao golpear a bola. Adapte seu jogo ao que a luz lhe possibilita. A princípio, se a área perto da rede estiver sombria ou se encontrar dificuldade em seguir a bola ou reagir a tempo, evite o voleio.
Quantas vezes você olhou com raiva para a luz depois de um golpe ruim? Se o fez por mais de uma vez falhou no teste da capacidade mental. Deveria manter sua concentração em um plano tático e procurar jogar sem se importar com as más condições da quadra. Desculpas são para os perdedores.
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Gisele Miró é tenista profissional e escreve sempre às terças-feiras na Folha





