Pense sobre seu jogo. Seus golpes são naturais e espontâneos, ou você analisa tudo que faz na quadra? Se não tiver certeza da resposta, realize este teste:
Faça uma bolinha de papel e coloque uma cesta a metros de distância. Seu objetivo é lançar a bola dentro da cesta usando pensamentos distintos. No seu primeiro arremesso, focalize a mecânica dos movimentos. Analise como sua mão deve se abrir na hora do lançamento, pense na posição do cotovelo, da mão e na rotação de seus ombros enquanto está arremessando. Seus joelhos estão estrategicamente flexionados? O que você está fazendo com a mão que não arremessa a bolinha? Com todos estes pensamentos em mente faça seu lançamento.
Agora tente arremessar sem se preocupar com a mecânica do movimento. Simplesmente imagine em sua mente o lançamento, como gostaria que ocorresse. Pense na sensação da bolinha saindo perfeitamente da sua mão e caindo dentro, bem no centro da cesta. Congele a imagem e arremesse.
Você perceberá que não se preocupando com a mecânica, conseguirá um maior número de cestas. Da mesma maneira, durante um jogo, o instinto é sempre mais efetivo do que o pensamento deliberado pelo consciente. Quando você acerta, seus golpes são automáticos, quase intuitivos ou instintivos. Focalizar na mecânica prejudica a performance.
Bóris Becker, André Agassi e Pete Sampras são exemplos de jogadores que reagem à bolinha sem pensar na mecânica dos golpes.
Entretanto, quem está aprendendo ou só joga por recreação tem que se concentrar na mecânica para aprimorar e melhorar os golpes. Nesta fase deve-se cuidar para não transformar os pensamentos de como e quando golpear a bola em vício, prejudicando o instinto na hora do jogo.
Bóris Becker disse que devolve os saques melhor quando não pensa, apenas reage por instinto como se estivesse fora do corpo assistindo a ele próprio jogar. Para atingir este estágio elusivo, Jim Loehr e Susan Fisk, treinadores mentais, elaboraram cinco recomendações:
1 - Use alguns macetes ao invés de pensar analiticamente para lembrar o que aprendeu. Por exemplo, repita durante o intervalo dos pontos frases que encaminham a correta execução dos golpes como: ‘‘bata na bola cedo’’, ‘‘movimente os pés’’, ‘‘mantenha-se agachado’’, ‘‘seja agressivo’’.
2 - Crie rituais entre os pontos, como arrumar o boné ou as cordas da raquete, soprar na mão que saca, ou brincar com as bolinhas. Rituais como estes ajudam a estimular o jogo por instinto, distraindo os pensamentos negativos e extremamente técnicos voltados à mecânica dos golpes.
3 - Use imagens para manter seus golpes automáticos. É melhor ter em mente a imagem de um grande golpe do que pensar no movimento especificamente.
4 - Trabalhe num ritmo e tempo para suavizar sua mecânica. A jogada instintiva é harmônica e nada robotizada.
5 - Controle a respiração durante e no intervalo dos pontos. Uma respiração disciplinada ajuda a desviar os pensamentos da mecânica dos movimentos.
Outra dica que costumo dar e sempre funcionou quando eu ‘‘perdia’’ um golpe é concentrar e focalizar o pensamento apenas na terminação correta do movimento.
Estas dicas não fazem um campeão, mas todo campeão as utiliza, com certeza.

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