Tênis feminino padece com falta de ídolos
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quarta-feira, 10 de outubro de 2007
Gilmar Agassi<br> Reportagem Local 
O tênis brasileiro vive um período de entresafra. A falta de ídolos - Gustavo Kuerten continua sua luta para se recuperar das seguidas contusões - prejudica o desenvolvimento do esporte no País. Sem um atleta de nível mundial para se espelhar, crianças e adolescentes acabam migrando para outras modalidades.
Se entre os homens a situação é preocupante, entre as mulheres pode-se dizer que existe um longo caminho a ser trilhado. Atualmente, a melhor brasileira no ranking mundial é Jenifer Widjaja, que ocupa a modesta 186 colocação. Dez posições atrás está a pernambucana Teliana Pereira - que deve assumir a primeira colocação no ranking nacional na próxima semana -, cuja família reside em Curitiba.
A falta de uma tenista brasileira de destaque no cenário mundial pode ser justificada por uma série de fatores. ''Primeiro, existe uma quantidade menor de meninas no tênis. Além disso, elas amadurecem mais cedo e muitas migram para a universidade. No Brasil, ao contrário dos Estados Unidos, não existem universidades que incentivam a prática de esportes. Aqui, ou se pratica o esporte, ou se estuda'', enumerou o técnico Luciano Rosa, do Clube Curitibano, que está em Londrina acompanhado os atletas que disputam o TIL Tennis Cup.
Rosa observa que já foram registrados casos em que não foi possível formar uma chave feminina na categoria 18 anos em torneios no Paraná. No caso do TIL Cup, muitas das meninas que disputam essa categoria são mais jovens, na faixa de 15 e 16 anos.
Dentre as adolescentes que disputam a categoria 18 anos do TIL Cup destacam-se duas: Giovana Portiolli, 16 anos, e Isabela Miró, 14 anos, filha de Giselé Miró, a paranaense de maior destaque no cenário mundial do tênis. As duas treinam no Clube Curitibano.
Mesmo com chances menores de alcançarem o título, as duas curitibanas decidiram enfrentar atletas mais experientes com o objetivo de aprimorarem a técnica. ''O ritmo de jogo é diferente. Na 18 anos, as meninas batem mais forte na bola, erram menos'', justificou Isabela, que esse ano chegou à semifinal em um torneio no Paraguai, que contava pontos para o ranking da Federação Internacional de Tênis (ITF).
Segundo ela, o fato de ser filha da maior tenista paranaense nunca trouxe influência negativa à sua carreira. ''Eu sempre quis ser tenista, desde criança'', conta. Sobre as dificuldades das brasileiras se destacarem no cenário internacional, Isabela credita uma parte à falta de um ídolo feminino. ''O tênis feminino brasileiro não tem o devido respeito no exterior''.
Para Giovana Portiolli, o apoio ao tênis feminino não é o mesmo destinado ao masculino. ''As premiações costumam ser diferentes. A quantidade de mulheres no tênis, também, é bem menor que a de homens'', observou a tenista, que seria a cabeça de chave número 1 na categoria 16 anos. ''Preferi jogar na 18 anos para ganhar experiência porque em 2008 vou jogar nessa categoria'', concluiu a atleta, que venceu a paraguaia Ana Chavez na primeira rodada.
Por coincidência, as amigas Isabela e Giovana jogariam ontem pela segunda rodada. O confronto não havia terminado até o fechamento desta edição.


