Tênis feminino ainda engatinha no Brasil
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quinta-feira, 06 de outubro de 2011
Rafael Souza <br> Reportagem Local 
A cada ano as esperanças em torno do aparecimento de uma grande tenista se renovam. Em todos os cantos do Brasil surgem novas candidatas ao posto de número 1 do País. Mas, muito por conta da pressão colocada em cima destas meninas, elas param no meio do caminho e acabam não ''virando realidade''.
A verdade é que depois do reinado de Maria Esther Bueno, a maior tenista brasileira da história, no final da década de 50 e início dos anos 60, a Confederação Brasileira de Tênis (CBT) ''pena'' para encontrar uma tenista que possa ocupar o posto da paulista que foi número 1 do mundo e era considerada o maior nome do esporte no Brasil até a chegada de Gustavo Kuerten.
Atualmente, não há nenhuma brasileira disputando os melhores campeonatos do mundo, fato que deixa praticamente impossível ter alguém entre as 100 melhores do ranking da WTA (Women's Tenis Association). A brasileira melhor colocada na lista das melhores do mundo é Vivian Segnini. Aos 22 anos, a paulista é dona do 284º lugar.
O diretor de alto rendimento da CBT, Patricio Arnold, elencou dois motivos centrais para este longo período sem uma tenista brasileira de destaque no cenário internacional. ''A falta de tenistas mulheres é uma questão geral da América Latina. E isso atribuo diretamente, primeiro a uma questão cultural, já que elas são mais protegidas. É muito mais difícil, por exemplo, uma menina de 11, 12 anos viajar sozinha para competições na Europa. Por conta disso, elas acabam optando por esportes coletivos. Existe também um problema na base, já que há poucos torneios e pouco incentivo para que elas comecem no tênis'', analisou.
Numa rápida comparação com a ala masculina do tênis, que também já teve cenários melhores, mas tem dois representantes entre os 100 melhores do mundo - Thomaz Bellucci, 36º, e João Souza, o Feijão, 99º - fica muito fácil eleger quem pode vir a ser o novo destaque brasileiro. Muito disso, claro, potencializado pelo reforço na estrutura e na popularização do tênis no território brasileiro, movimento que o próprio Gustavo Kuerten iniciou e faz questão de encabeçar até hoje, quatro anos depois de sua aposentadoria.
Para o dirigente, a falta de uma referência mais recente, a exemplo do que fez Guga entre os homens, também é um agravante para este quadro. ''Não tivemos também um ídolo feminino, o que naturalmente incentiva a prática e divulga o esporte'', avaliou Arnold, que esteve no início da semana acompanhando as primeiras rodadas do Arthrom Tennis Cup, em Londrina.
Um reflexo deste problema pode ser visto em quadra no torneio londrinense. Na categoria 18 anos, a última antes do adulto, apenas uma brasileira chegou entre as quatro melhores. Foi a também paulista Laura Pigossi, que passou pela peruana Ximena Siles-Luna nas semis e vai enfrentar na decisão outra peruana, Ferny Angeles Paz, que eliminou a venezuelana Carmem Blanco ontem.
Técnico do Instituto Gaúcho de Tênis (IGT), uma das escolas mais tradicionais do tênis nacional, onde treina Vivian Segnini, o ex-jogador Luiz Peniza, de 27 anos, vê um panorama mais positivo para o tênis feminino nos próximos anos. ''Está se começando a fazer um trabalho de apoio ao tênis de base feminino, em parceria com a CBT, capacitando os treinadores para trabalhar com as meninas, que pode favorecer o aparecimento de boas jogadoras a longo prazo, e trazer um crescimento concreto do tênis feminino no Brasil'', projetou o treinador. Hoje, às 11h30, no Londrina Country Club, acontecem as finais dos torneios femininos do Arthrom Cup nas categorias 14, 16 e 18 anos.


