TÊNIS - Sucesso na quadra é para poucos
PUBLICAÇÃO
domingo, 28 de novembro de 2004
Agência Estado 
São Paulo - Milhares de jogadores em todo mundo estão em busca de sucesso como profissionais. Apenas os cem primeiros dos rankings masculino e feminino é que alcançam certo retorno. Só mesmo quem chega entre os dez pode gozar de fama e fortuna. O investimento para se ter um lugar ao sol é alto e incerto. Famílias chegam a gastar R$ 5 mil por mês, na esperança de ver o filho jogando o circuito profissional. É preciso ralar muito para ser um tenista, com doses cavalares de sacrifícios, em que a perseverança e a determinação são armas poderosas.
Antes de brilhar nas quadras, tenistas passam por verdadeiros testes de fogo. Todos têm histórias marcantes. Gustavo Kuerten, aos 14 anos, já enfrentava as agruras da profissão e até mesmo como campeão de Roland Garros continuava a viajar de trem e a carregar malas. Flávio Saretta deixou sua casa com 17 anos para viver num alojamento, dividindo o quarto com outros três jogadores. Passou por dificuldades e acha que todos têm de enfrentar este período para aprender a dar valor e especialmente respeitar a família que investiu não só dinheiro, mas também em emoção.
Com um funil tão apertado, milhares lutando por um lugar no ranking, juvenis começam a vida longe de casa por volta dos 14 anos. Com torneios e treinamentos diários, os estudos são prejudicados. Fazem provas em datas especiais e ficam até 30 dias sem ir às aulas.
Nas viagens ao Exterior, as provações são maiores e é preciso ter certeza do que se quer. Caso contrário, como adverte o técnico Larri Passos, o jogador está fadado a desistir.
A vida, glórias, sucesso e decepções é contada por quem já chegou lá como Guga. Juvenis também revelam sua força de vontade em decisões que parecem de gente grande. Tudo para mostrar o quanto é preciso ralar para ser um tenista profissional.


