De jogador revelação e titular nos primeiros jogos do Campeonato Paranaense ao anonimato na equipe de juniores. A trajetória do atacante Bolão, 18 anos, no profissional do Tubarão é no mínimo efêmera demais para a cabeça de um garoto que ainda não se despediu da adolescência. Nascido Hiziel de Souza Soares, em Manaus, o jogador não consegue esconder nos traços do próprio rosto a decepção por ter sido preterido. Com a viagem dos jogadores da Londrina Junior Team (LJT) para disputar um torneio na Itália, o técnico Raul Plassmann não teve outra alternativa a não ser contratar novos jogadores para a sequência do torneio estadual. Na volta, Bolão não foi reintegrado. Somente o meia-atacante Biro e o zagueiro Réferson continuaram entre os profissionais. Mas o atacante continua confiante, apesar de tudo. ''Não tenho mágoas de ninguém. Vou trabalhar e tentar voltar um dia''.

Bolão disputou cinco jogos pela equipe profissional, sendo quatros dele como titular. Marcou um gol na vitória por 3 a 2 contra o União Bandeirante. Na Copa São Paulo, emprestado ao Primavera, de Indaiatuba, anotou mais quatro. E o futuro de Bolão ganhou o apelido do tio, na infância, porque era um pouco gordinho está bem perto da Série B do Campeonato Brasileiro deste ano, mesmo que seja longe do Londrina. O diretor da LJT, João Severo, afirmou ontem que de uma forma ou de outra o atacante disputará o Brasileiro. ''A preferência é do Londrina, mas o Bolão vai disputar a Série B''. O dirigente informou ainda que não existe a possibilidade do jogador ser emprestado para a Portuguesa Londrinense, a exemplo do que ocorrerá com a base da equipe da LJT. ''Isso é zero'', disparou.

O garoto não mostrou abatimento pelo fato de não ter sido negociado após a Copa Carnevalle, na Itália. Dois jogadores da LJT, o zagueiro Jhonnes e o volante Juninho nem voltaram para o País. ''Acho que fui bem, marquei dois gols, mas sou muito novo, preciso adquirir mais experiência. Quem sabe no que vem...''. Leia parte da entrevista que o atacante concedeu à Folha.

Folha - Qual foi sua reação quando soube que não voltaria para o profissional?

Bolão - Fiquei chateado, né. Mas a vida continua, tenho que seguir em frente jogando pelo júnior, e quem sabe lá na frente eles podem me chamar de novo.

Folha - A decepção continua?

Bolão - Não tenho mágoa em relação a ninguém. Eu fiquei triste, mas como falei, agora é partir pra cima, continuar bem na equipe de juniores para ter a oportunidade de disputar o Brasileiro pelo Londrina.

Folha - A motivação e o rendimento continuam o mesmo?

Bolão - Não, isso me anima mais ainda. Dá mais vontade de trabalhar, jogar e voltar para o profissional.

Folha - Você acha que tem futebol para jogar no Tubarão?

Bolão - Condições eu tenho, e muita. Se não tivesse eu não estaria jogando como titular no começo do Paranaense.

Folha - Desde que chegou de sua cidade natal qual é seu maior sonho aqui no Londrina?

Bolão - Meu maior sonho é estar na equipe profissional para depois chegar num clube grande.
Folha - E a possibilidade de jogar na Portuguesa Londrinense não agrada?

Bolão - A diretoria está resolvendo isso. Por mim, não quero ir, tenho mais dois anos de júnior, e tenho muito ainda o que melhorar.

Folha - Existe a informação de que você pode ser emprestado para um time da Série B, entre eles o Ceará. O que você sabe disso?

Bolão - O João (Severo, diretor da LJT) conversou comigo dizendo que tinham três times pra eu jogar. Se não ficar no Londrina, é bem capaz de ir pra um deles. Acho que vai ser uma boa pra mim, como tenho 18 anos, acho que está na hora de jogar no profissional.

Folha - Esta situação toda, de ser titular no começo do campeonato, e agora voltar para o júnior mexeu muito com sua cabeça?

Bolão - Mexeu um pouco, né. Quando estava jogando como titular do profissional fui viajar para a Itália e tive de voltar para o júnior. E agora tenho que mostrar meu futebol de novo para eles (Londrina), porque acho que não valeu nada o que fiz no passado. Então, tenho que mostrar muito mais agora.

Folha - Mas não desanima?

Bolão - Não, me anima mais ainda, dá mais vontade de jogar.

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