Desde sua chegada ao Atlético-GO, técnico amargou eliminações no Goiano e na Copa do Brasil e agora tenta levar o Dragão de volta à elite
Desde sua chegada ao Atlético-GO, técnico amargou eliminações no Goiano e na Copa do Brasil e agora tenta levar o Dragão de volta à elite | Foto: Reinaldo Reginato/Fotoarena/Estadão Conteúdo



Quando Londrina e Atlético Goianiense entrarem no gramado do estádio Olímpico de Goiânia, na sexta-feira (11), as atenções estarão voltadas para o banco de reservas do time rubro-negro. Pela primeira vez, o técnico Claudio Tencati irá enfrentar o ex-clube, no qual fez história e se tornou reconhecido no futebol brasileiro.

Em entrevista à FOLHA, o treinador revelou que não sabe qual será a sua reação ao encontrar o Londrina, apesar de reconhecer que não faltará emoção. Tencati falou ainda sobre as dificuldades enfrentadas no início do seu trabalho à frente do clube goiano e afirmou que o investimento este ano no Londrina é maior que nas ultimas duas disputas da Série B.

Como você imagina que será o reencontro com o Londrina?
Ainda não dimensionei isso. Quando a gente está na rotina de trabalho, envolvido no dia a dia, você encara mesmo como um adversário. Acho que a ficha só vai cair no momento em que a gente entrar em campo, que eu ver os atletas lá com a camisa alviceleste e ver que estou me deparando com a equipe que eu treinei por seis anos e sete meses. Então, talvez ali aconteça um choque de realidade, e não sei qual será a minha emoção naquele momento. Porque realmente é um clube pelo qual tenho carinho, um respeito enorme, no qual aconteceu tudo na minha carreira, onde consegui me projetar no cenário nacional. Não sei qual será o sentimento na hora do jogo.

E como lidar com a emoção que certamente vai aparecer?
Tenho me concentrado muito, me preparado bastante, porque naquele momento vou defender o Atlético Goianiense, o clube no qual trabalho. Tenho um respeito e um carinho enormes pelo Londrina, mas vou ter que dividir bem esta questão, inclusive para que a gente possa fazer um grande trabalho, porque precisamos de um bom resultado na sexta-feira. Por isso, venho me preparando emocionalmente para chegar na hora do jogo e estar fortalecido para isso.

Você assumiu o Atlético em 30 de janeiro. Qual o balanço do trabalho até aqui?
Ainda é positivo. A mancha negativa destes pouco mais de 90 dias foi a eliminação precoce na Copa do Brasil. Esta realmente foi a grande frustração. No Goiano, quando eu cheguei, o clube era o último colocado, em uma situação de rebaixamento e (um momento) muito complicado, e nós conseguimos mudar totalmente o quadro. Brigamos lá em cima na zona de classificação e quase chegamos às semifinais, faltou uma vitória. Escapou pelos dedos, mas pelo menos mudou o quadro. Isso demonstrou para a diretoria e para o clube a virtude do trabalho, que, com poucas contratações, conseguiu fazer a equipe reagir. A diretoria enxergou qualidade e virtude no trabalho, então conseguimos dar sequência para o Brasileiro. E a dificuldade principal é justamente isso, este entendimento, porque é a primeira vez que pego uma situação adversa desta forma. No Londrina, sempre mantínhamos uma base de uma temporada para a outra, um alicerce de seis, sete jogadores, a comissão técnica era da minha confiança, era um processo diferente. Aqui no Atlético, eu estou conquistando a diretoria, o diretor de futebol, a comissão técnica, só eu e o Aléssio (Antunes, auxiliar) que chegamos. Para os jogadores, da mesma forma. Passar a metodologia de trabalho, uma série de coisas que exigem muito comprometimento, trabalho emocional e organização para evoluir. Do Goiano para o Brasileiro, tivemos uma evolução muito grande, mesmo sem mudanças no elenco. Está sendo um desafio e vai ser um desafio, porque está só no começo.

Pelas eliminações nas duas primeiras competições do ano, a pressão por uma boa campanha na Série B aumentou?
A cobrança realmente cresceu. É uma situação que nós colocamos para a direção, que o Atlético já vinha pressionado em razão da queda no ano passado. O descenso sempre deixa uma imagem negativa para a imprensa e a torcida. Quando você cai, a cobrança é que no ano seguinte se faça uma campanha perfeita. Então existe uma expectativa muito grande. Até pelo início de ano ruim, a melhora em seguida, e todos reconheceram isso, mas aí não chegamos em nenhuma competição e ficou uma frustração. Tudo isso vai somando, não só pelo momento, mas vem lá de trás. É um ano de eleição no clube, tem este momento político também, e se os resultados não vêm, você já fica em um momento mais adverso. Ainda bem que no Brasileiro a gente conseguiu equilibrar, com duas vitórias em casa, um grande jogo contra o Coritiba, que não merecíamos perder, e só contra o CRB mesmo (derrota por 3 a 1) é que oscilamos. No Brasileiro, é importante fazer resultados cumulativos para que a gente engrene. Sabíamos que esta cobrança existiria.

A FOLHA fez um levantamento do aproveitamento do Londrina (44%) após a sua saída e o seu aproveitamento no Atlético (50%). Os percentuais são parecidos e ainda não empolgam. Você acredita que é um período de adaptação das duas partes depois de tanto tempo juntos?
Acredito que sim. Nós aqui, é um pouco mais complicado ainda em razão desta remodelação do elenco, muitas mudanças. Aí você tem que buscar jogador dentro do perfil desejado e é mais difícil. Entendo que o Londrina até poderia estar em um patamar acima, porque manteve uma base, tinha jogadores de confiança de trabalhos anteriores, uma comissão técnica permanente. Mas acho que o Londrina está encontrando o caminho. O Marquinhos (Santos, técnico) tem um perfil muito próximo do meu trabalho, uma característica muito próxima do que eu penso, do que já discutimos sobre futebol. Foi acertada a ida dele. O Londrina pode se encaminhar para uma boa campanha novamente. E nós aqui, as coisas estão engrenando e os atletas estão começando a comprar a ideia das nossas convicções e acreditando em uma melhora também. O Atlético é um candidato ao acesso, assim como o Londrina.

Além dos dois, quais os outros favoritos na sua visão?
Este Brasileiro, eu ainda vou esperar pelos menos as dez primeiras rodadas para apontar. Tem sido uma competição muito equilibrada, de algumas surpresas, de times com nível de equilíbrio grande, de alguns clubes tidos como importantes e que ainda não deslancharam, outros que estão em posições intermediárias, outros começando a mostrar a cara. Mas acredito que ainda é cedo. Vai ser um campeonato da Série B mais equilibrado e difícil e por isso neste momento ainda não dá para dizer.

O Londrina tem um elenco mais forte hoje do que nos dois últimos anos na Série B?
Não posso medir se tem mais qualidade ou não. Eu vejo pelo lado do investimento. Pelo que a gente acompanha, pelo que o Sérgio (Malucelli, gestor do LEC) afirmou, teve mais investimento este ano. Nem sempre o fator de investir é o suficiente para buscar o resultado. A questão é encaixar o time. Mas que realmente teve um pouco mais de investimento do que nos outros anos, o próprio Sérgio afirmou e colocou em prática.

Grande parte dos jogadores que trabalharam com você permanecem no Londrina. Este conhecimento que você tem do elenco dá alguma vantagem para o jogo de sexta-feira?
Acredito que não. Da mesma forma que eu os conheço, eles também sabem do meu perfil de trabalho, sabem das minhas ideias. O Germano, que foi capitão comigo e o gerenciador do time em campo, por três, quatro temporadas, entende muito bem as minhas ideias, os meus pensamentos. O próprio Marquinhos me enfrentou várias vezes. Taticamente, será um jogo muito equilibrado, e o desequilíbrio pode ocorrer em um dia mais inspirado de um lado ou de outro. Espero que o Atlético esteja inspirado e o Londrina não muito. O Londrina tem mostrado muita regularidade, resistência, e por isso nós teremos muitas dificuldades e o Atlético terá que estar em uma noite muito inspirada para furar este bloqueio.

Onde a torcida é mais "corneta"? Em Londrina ou em Goiânia?
Em ambas as cidades. Você mexeu errado, não está ganhando, o puxão de orelhas do torcedor vem em qualquer lugar. Aqui ocorreu também, já teve cobrança. É uma coisa normal. É em qualquer lugar e em qualquer clube. É o mesmo que acontece com a imprensa, onde se cobra mais, aqui ou ali. Aqui em Goiânia, ainda se divide um pouco mais em razão de haver outros dois clubes na capital. Em Londrina, é o único clube da cidade com evidência. Então, o Londrina fica mais falado. As cobranças e as críticas existem em todo lugar e precisamos estar preparados para organizar a equipe e prepará-la bem. A partir do momento que a equipe dá resultado, o torcedor estará ao seu lado, caso contrário, ele vai cobrar.

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