O técnico do Londrina, Cláudio Tencati, foi o principal sobrevivente da crise que o time viveu no primeiro turno do Campeonato Paranaense. A campanha ruim fez cair sobre ele toda a cobrança por resultados melhores. Teve a cabeça pedida por torcida, imprensa e até mesmo por gente de dentro do clube, mas ficou no cargo, firme e forte e, hoje, deu a volta por cima. O time esqueceu os tropeços e a apatia no primeiro turno, lidera o returno e segue mantendo vivas as esperanças de atingir a Série D do Brasileiro.
Em entrevista exclusiva à FOLHA, Tencati fala das mudanças do time e dos momentos difíceis:
Qual a diferença do Londrina até o jogo do Rio Branco para o Londrina atual?
Realmente mudou e focou mais afundo os seus objetivos. Eu sentia que a equipe anteriormente tinha alguns jogadores querendo, outros meio indecisos e agora o grupo se fortaleceu em um único objetivo. É um Londrina, sem sombra de dúvidas, muito mais objetivo na sua vontade de querer conquistar seus objetivos.
Coincidentemente essa mudança de postura ocorreu após a contratação dos reforços. Foi a sombra que influenciou?
Acredito que também. É uma coisa que eu citava lá atrás. Até em virtude de só termos dois meias na época. 'As vezes até ficava à mercê e era um setor que não era exigido. Consequentemente em outros setores também não havia o rendimento. Claro que a partir da sustentação do presidente (o gestor Sérgio Malucelli) e o trabalho dos psicólogos. Tudo foi unificando para o rendimento melhorar.
Até que ponto esse trabalho com os psicólogos ajudou? Eles conseguiram mexer com os jogadores que estavam sem confiança?
Ah, conseguiu. Nós tínhamos nitidamente atletas que estavam acuados. Não conseguiam demonstrar no dia a dia para mim ou em outra situação, mas estavam acuados e automaticamente o rendimento ia lá embaixo. Eles fizeram um trabalho, são profissionais da área, sabem trabalhar bem a cabeça do jogador, instigar isso com dinâmica. Fizeram vários trabalhos com o grupo inteiro para fortalecer esses laços de confiança, tanto um no outro, como o presidente que passou a depositar mais confiança em nós. Claro que houve somatória de coisas. Não adiantaria nada o psicólogo vir aqui se o presidente não desse respaldo.
Você tomou muita pancada neste período de crise do Londrina. Como foi apanhar como apanhou, ficar firme no cargo e dar a volta por cima agora?
Olha, (pausa para respirar) fácil não foi. Realmente houve momentos em que nós perdíamos até a localização. Era muita cobrança. Depois do Roma acho que foi o ponto mais forte. Era quase unânime na imprensa (a troca de técnico). Mas eu sempre me mantive firme e dizia o seguinte: enquanto me deixassem trabalhar para o Londrina eu iria trabalhar. Não tinha que me preocupar com outras coisas. Óbvio que magoa um pouco, porque você está fazendo o seu trabalho, está buscando e talvez não acontece, mas temos que entender que é o processo do futebol. Quando o resultado não vem, tem que achar o culpado e o primeiro, naturalmente, é o treinador e ele tem que estar preparado para isso. Houve o crédito do presidente, dos jogadores e isso foi importante.
Como está o pensamento do grupo com relação à vaga na Série D?
O foco é jogo a jogo, rodada a rodada. É a escadinha, os 'degrauzinhos' para poder ir subindo e pensar concreto em brigar pelo título do segundo turno, porque estamos liderando e temos jogos que podem nos favorecer. Não adianta ficar preocupado com o Arapongas, com o Cianorte e o Toledo e esquecer de fazer a nossa parte. Temos que concentrar as forças contra o Corinthians (adversário de domingo). Terminou, vamos pensar no Arapongas.
O time inteiro voltou a jogar bem e você tem cinco jogadores que chegaram agora, sendo dois, os estrangeiros, com status de estrelas. Como fará para colocar esses atletas para jogar?
Acredito que as coisas vão acontecendo aos poucos. Se você me perguntar se domingo pode estrear algum deles, vou dizer que pode como não pode. A gente tem que ter critérios para isso e vou escalar o melhor e no momento melhor. Não posso atropelar e perder o que tenho de bom agora, que é a recuperação dos jogadores.
O campeonato agora terá jogos apenas aos finais de semana, com uma rodada apenas com partidas na quarta-feira. Que diferença isso faz?
Terminava o jogo no domingo, na segunda o grupo vinha só para recuperar na fisioterapia. Na terça-feira, tinha que fazer uma movimentação curta, era no máximo 35 minutos e pronto. Já tinha que jogar na quarta. O que que dá para fazer com 35 minutos? Não dá para treinar. Agora vamos ter esta condição, de trabalhar especificamente cada setor e melhorar os fundamentos, treinar variações.
Agora vai aparecer o diferencial de cada treinador?
Em minha opinião sim. Inclusive a competição vai se tornar mais forte neste momento. Os treinadores vão ter mais tempo para se organizarem, para trabalhar. E aparece o dedo de cada treinar e do elenco.

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