Ao contrário das poucas conquistas no exterior este ano, o automobilismo brasileiro teve uma temporada das melhores, com grids cheios, conquistas históricas e, para variar, mais uma nova safra de pilotos que está de saída para a Europa e Estados Unidos, e outras revelações que dentro em pouco estarão no mesmo caminho. Da F-3 sul-americana, F-Chevrolet e F-Ford (esta com a possibilidade de ser extinta), categorias que a cada ano revelam novos talentos, passando pela Stock Car e Fiat Turismo, o saldo foi positivo.
Na Fórmula 3 sul-americana, último estágio do piloto que sonha em ir para o exterior, este ano o título ficou para o argentino Nestor Furlán, que de certo modo até não foi incomodado no desenrolar da competição. Ele venceu seis das 11 etapas somando 144 pontos, sendo que o vice, o gaúcho Pedro Bartelle teve 87. Bartelle e o paranaense Sérgio Paese, terceiro colocado, são os pilotos brasileiros que mais se destacaram.
A Fórmula Chevrolet (categoria abaixo da F-3) até a metade da temporada este muito equilibrada, mas no final prevaleceu a categoria do paulista Luiz Fernando Uva, que venceu cinco das dez etapas (as outras cinco foram ganhas por pilotos diferentes). Com 19 anos e experiência de um ano na F-Opel européia, a meta de Uva agora é disputar a F-3 sul-americana. ‘‘O que me deixou satisfeito mesmo foi ter obtido o título por antecipação’’ - disse Uva. Outros pilotos que se destacaram foram os catarinenses Marcelo Tedesco e Leonardo Nienkotter, o carioca Duda Pamplona, e o sul-matogrossense Alex Bachega.
Considerada a categoria-escola do automo-ilismo brasileiro, a Fórmula Ford mais uma vez cumpriu o papel de revelar pilotos. O gaúcho Juliano Moro foi o destaque, conquistando o título por antecipação, apesar de vencer apenas três das dez etapas, mas mesmo assim sempre terminou entre os primeiros, somando 156 pontos, contra 91 do segundo colocado. Moro vai disputar a F-3 em 97. Outros pilotos foram para o exterior, como os paulistas Fernando Pantani, vice-campeão, que disputará a F-Vauxhall inglesa, e Urubatan Helou Jr. que confirmou presença na F-Ford 2.000 norte americana. A má notícia é que por problemas de patrocínio, a montadora suspendeu o campeonato de 97 e a categoria pode até deixar de existir.
Espetáculo Já as categorias turismo, como a Stock Car e a Fiat (Palio e Uno) tiveram um ano dos melhores, com grids superlotados e grandes conquistas. A Stock Car, que teve uma média de 30 carros em todas as dez etapas, viu este ano o veterano Ingo Hoffmann conquistar seu nono título na categoria. Um feito que será muito difícil de ser batido. Ingo venceu quatro provas e chegou em segundo em três. O vice foi seu companheiro de equipe, o também tarimbado Xandy Negrão. Na classe B, o catarinense Alessandro Weiss foi o campeão, enquanto o carioca Cacá Bueno surgiu como revelação.
Com uma média de 60 carros por prova e estreando este ano a Fórmula Palio, o Campeonato Brasileiro de Fiat Turismo, que teve ainda disputas da Uno Graduados e Uno Novatos continuou sendo uma das atrações na pista. O curioso é que a equipe Medley ficou com o título nas três categoria: Xandy Negrão, na Palio; Fred Marinelli, na Uno Graduados; e André Bragantini Jr., na Uno Novatos.

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