São Paulo - A temporada 2009 começou ontem para o Corinthians. E também para sua principal estrela, o atacante Ronaldo. A reapresentação do elenco, sempre marcada pela tranquilidade, desta vez teve ingredientes nada habituais da volta ao batente: presença maciça de torcedores (aproximadamente 500 pessoas no Parque São Jorge), oba-oba, muita gritaria. A paz prometida no clube ao Fenômeno esteve longe de ser confirmada.
''Ronaldo, Ronaldo, Ronaldo'', gritavam os corintianos, enquanto viam o atacante fazendo fisioterapia na sala do Ceproo (Centro de Preparação e Recuperação Osmar de Oliveira). O jogador fez exercícios com seu fisioterapeuta particular, Bruno Mazziotti. Os torcedores - todos sócios do clube, cheio nesta sexta - chegaram a bater no vidro da sala. Para dispersar a multidão - os seguranças não conseguiram tirá-los da Fazendinha -, a saída foi levar os jogadores para o campo. Acabaram tirando um pouco o foco de Ronaldo. Mas só um pouco.
Isso pelo fato de o jogador ter de voltar à sala do Ceepro para exercícios aeróbicos. Ronaldo pedalou, agora sob a orientação de Antônio Carlos Bona, auxiliar de preparação física do Corinthians, até 17h55. O craque pegou pesado no batente, suou bastante e, quando todos pensavam que o dia estava encerrado, ele ainda fez corrida na esteira. ''É isso aí, pega firme para logo dar títulos para a gente'', gritava um torcedor.
Muitos pais e mães arriscaram os filhos pequenos para poderem mostrar o ídolo aos herdeiros. ''Vale a pena o sacrifício, ele é um craque. E nem tão gordo está, como falam'', disse dona Célia, acompanhada dos filhos Lucas e Mariana.
Os seguranças improvisaram uma grade na frente da sala para evitar que as pessoas encostassem no vidro. Havia o temor que o quebrassem. ''Tudo isso foi dentro do esperado, sem grande trabalho'', afirmou Waldyr Dutra, chefe da segurança, que horas antes comemorava a tranquilidade no clube. Na verdade, todo seu efetivo presente no Parque São Jorge acabou deslocado para a área do futebol.
A sexta-feira de Ronaldo começou cedo. Pela manhã, o jogador buscou a mulher, Bia, e a filha recém-nascida, Maria Sophia, na maternidade Peri Natal, na Zona Sul do Rio, e à tarde, no horário marcado, 16 horas, dava início aos trabalhos médicos e físicos no clube. Ronaldo não quis saber da licença-paternidade de cinco dias a que tinha direito. Tudo pelo fato de os dirigentes darem liberdade, na semana passada, para ele acompanhar a reta final da gravidez mulher.
No clube, ele conheceu os novos companheiros, deu gargalhadas com o futuro parceiro de ataque, Dentinho, e mostrou concentração, evitando o assédio da torcida com bastante seriedade nos exercícios físicos. Nada de olhares ou nem mesmo um simples aceno.

mockup