'Temos alguns problemas sim'
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Jamil Chade<br>Agência Estado 
Johannesburgo - Três anos depois de dar a Copa do Mundo de 2014 ao Brasil, a Fifa alerta que falta tudo ainda no País para organizar o Mundial daqui quatro anos. A Fifa deixou claro que, com o fim da Copa de 2010, passará a pressionar o Brasil para acelerar as obras para o Mundial. Muitas das promessas sequer saíram ainda do papel, para o desespero da Fifa.
Nesta segunda-feira, questionado se existiam problemas do Brasil para a Copa, o secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, admitiu que sim. ''Temos alguns problemas sim'', disse. A lista do cartola, na realidade, é longa e complexa. ''Precisamos construir estádios, estradas, o sistema de telecomunicações, aeroportos e ver se há mesmo a capacidade suficiente em hotéis'', disse Valcke.
Em resumo, o recado da entidade é de que nada está em dia. Não há nem uma definição de onde ocorrerão os jogos de abertura e semifinais, como será a infraestrutura, quais aeroportos serão usados e nem sobre garantias financeiras. Um membro do Comitê Executivo da Fifa admitiu que, se o Brasil não tivesse concorrido sozinho para sediar a Copa, não teria levado diante da falta de planejamento.
Para as Copas de 2018 e 2022, há na Fifa quem tenha a sensação de que os candidatos estão mais preparados que o Brasil. Nos bastidores, o País vem sendo considerado pela Fifa como um país tão problemático ou até pior que a África do Sul para a realização da Copa. Antes do início do Mundial, o presidente da entidade, Joseph Blatter, chegou a apontar que ''o Brasil não era um paraíso'', em um sinal de insatisfação com a forma de lidar com a Copa pelos cartolas e governos.
Em maio, Valcke já havia alertado que os trabalhos no Brasil estavam ''impressionantemente atrasados''. Sua avaliação é de que o atraso chegava a dois anos. Na última quinta, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, garantiu que essa não era mais a situação do Brasil e que as obras estavam já em andamento. Mas alertou para a situação dos aeroportos.
Na sexta, foi a vez do presidente Luiz Inácio Lula da Silva atacar quem duvidasse do Brasil. Para ele, era ''descabido'' questionar se o Brasil estaria pronto para a Copa, garantindo que investimentos seriam feitos e que não faltaria aeroportos. Lula chegou a se irritar com o questionamento. ''Se o Brasil não tiver condições, garanto que volto da África à nado'', disse.
Valcke, que terá de tomar decisões sobre estádios e sobre o formato da competição no Brasil, admite que o trabalho não será pequeno. ''Vamos trabalhar em todos esses assuntos'', garantiu. A Fifa havia prometido que falaria de 2014 após o final da Copa de 2010. Mas, nesta segunda, um dia após a final da Copa, o sentimento ainda era de que não se deveria tratar do assunto diante do grande número de polêmicas. A Fifa estava decidida a não permitir que jornalistas brasileiros tomassem a conferência para falar de 2014. Vários jornalistas do País que pediram a palavra simplesmente não foram atendidos.
Blatter admitiu que fará uma visita até o final do ano ao Brasil, antes do fim do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas a relação entre a Fifa, CBF e o governo não é das melhores. Lula desistiu de assistir a final da Copa, o que foi considerado como um ato de menosprezo à entidade que levará o Mundial ao Brasil em 2014. Tradicionalmente, o presidente do próximo país sede é o convidado de honra da final da Copa. No domingo, na sala vip do estádio Soccer City, o lugar de Lula ficou vazio.


