Belo Horizonte - O quadro clínico de Telê Santana, 74 anos, apresentou uma ''discreta melhora'' ontem, segundo informou o médico José Olinto Pimenta Figueiredo, coordenador da equipe que atende ao ex-técnico da seleção brasileira. Figueiredo, porém, reiterou a gravidade do estado de saúde do ex-técnico e disse que é importante ''não criar falsas expectativas''.
Telê foi internado às pressas no último sábado no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) do Hospital Felício Rocho, em Belo Horizonte, com infecção no intestino grosso. ''A partir de terça à tarde ele começou a ter uma certa melhora, mas coisa discreta ainda'', observou o médico. ''Alguns parâmetros apresentaram uma certa melhora mas continua um quadro de extrema preocupação. Um quadro grave, potencialmente muito sério e ainda sujeito a inúmeras complicações''.
Desde o início do tratamento intensivo, a infecção abdominal que atingiu Telê está sendo monitorada e combatida com antibióticos. A preocupação dos médicos é que a infecção torne-se generalizada, atingindo rins, pulmões e até o coração. ''Felizmente não há até o momento nenhuma evidência disso'', afirmou Figueiredo.
Sem cirurgia Uma intervenção cirúrgica para a retirada do foco infeccioso abdominal é uma possibilidade ainda considerada remota e só será feita em último caso, segundo o médico. ''Você tem que avaliar muito o risco e o benefício de um procedimento desse'', disse. ''Estamos tentando fazer um controle clínico. Até agora com um sucesso relativo''.
Telê permanece a maior parte do tempo sedado, mas, de acordo com Figueiredo, tem consciência do que ocorre à sua volta. O boletim divulgado no final da manhã pelo hospital informava que ele ''continua respirando com ajuda de aparelhos, mas que seu quadro mantém-se estável, sem apresentar até o momento indicação cirúrgica''.
Conforme o comunicado, ''houve discreta melhora dos parâmetros metabólicos e hematológicos, continuando, porém em ventilação mecânica e com suporte circulatório com drogas vasoativas, além dos antibióticos venosos e supervisão estreita do abdômen''.
A infecção que atingiu Telê teve como causa um problema vascular, que ocorreu subitamente. ''Ele estava normal. Levava uma vida limitada, mas com certa tranquilidade'', destacou o médico, que cuida da saúde do ex-treinador há dez anos, desde quando ele sofreu o seu primeiro AVC (Acidente Vascular Cerebral), que o obrigou a deixar o futebol.
Em 2003, Telê que sofre de diabetes precisou ser submetido a uma cirurgia para amputação de parte da perna esquerda, abaixo do joelho.
Ferreira ressaltou a importância do apoio familiar para a recuperação do paciente. ''Grande parte do sucesso da recuperação do Telê nesses episódios todos que ele tem vivenciado se deve à dedicação da família. A esposa, os filhos, os genros, os netos são todos de uma dedicação e de um amor extremado a ele. E ele sente e percebe isso.''

mockup