Teixeira tenta barrar CPI e põe deputados na CBF
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terça-feira, 08 de fevereiro de 2000
Por Rodrigo Mattos Especial para AE 
Rio, 08 (AE) - O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, garantiu que a entidade não recebe subsídios fiscais e, portanto, não há motivo para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o contrato entre a CBF e a Nike. O dirigente assegurou que tem documentos do Tribunal de Contas da União (TCU) e do Instituto Nacional de Desenvolvimento do Esporte (Indesp), que garantem a sua afirmação.
O principal argumento dos parlamentares que defendem a CPI Nike/CBF é de que a entidade que controla o futebol brasileiro é beneficiada por isenções fiscais e tributárias do Indesp. "Não somos uma entidade sem fins lucrativos", afirmou Teixeira, que informou que a entidade pagou R$ 10 milhões em imposto de renda no ano passado. No dia 10, o dirigente vai depor na CPI dos Bingos, quando parlamentares devem questioná-lo sobre o contrato com a Nike.
Empossado diretor de integração da CBF - cargo criado na nova gestão de Teixeira -, o deputado federal Miro Teixeira (PDT-RJ), reforçou a posição a oposição a CPI. "A Nike e a CBF são entidades privadas e, por isso, a CPI é inconstitucional", garantiu. Miro, no entanto, disse que não vai tentar impedir a sua instalação. "Mas, acho que a forma correta de realizar essa investigação seria por meio do Ministério Público ou de uma ação popular."
Se não poderá contar com Miro para barrar a realização da CPI, a CBF tem outros parlamentares como aliados. Na nova diretoria, empossada hoje, existem três deputados federais Marcus Antônio Vicente (PSDB-ES) e Joaquim Santos Filho (PFL-PR) e Henrique Alves (PMDB-RN). Ricardo Teixeira negou que esteja tentando formar uma base no Congresso Nacional. "Sempre trabalhamos com parlamentares porque eles têm uma visão mais abragente da sociedade."
Sobre os anexos do contrato com a Nike - que não podem ser revelados sem a aprovação da entidade -, Ricardo Teixeira garantiu que os mostrou a um jornalista da Revista Playboy. "Os anexos são sobre tópicos como uniformes, que não caberiam no contrato", contou. Até agora, outros orgãos de comunicação não tiveram acesso aos anexos.
Um dos motivos para a retomada da CPI Nike/CBF, a "guerra jurídica" entre a entidade e o Gama foi assunto evitado por Teixeira. "É um assunto do departamento jurídico", disse. O diretor-jurídico, Carlos Eugênio Lopes, informou que a CBF foi avisada oficialmente na segunda-feira da decisão da Jutiça comum a favor do Gama. Lopes disse que a entidade vai recorrer. Enquanto isso, teria de pagar um multa de R$ 200 mil por dia.
Ricardo Teixeira reafirmou que não haverá "virada de mesa" no Campeonato Brasileiro desse ano. Ele ressaltou que, para o campeonato de 2001, todo o número de participantes será revisto. "Aí eu não sei se haverá 16 ou 70 participantes", exagerou. Em relação a Copa do Brasil, o diretor-técnico, Alfredo Nunes, garantiu que divulgará a tabela em 48 horas.


