Zurique, Suíça - O Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou ontem que examinará qualquer prova de suposta corrupção de um de seus membros, após uma reportagem da BBC sobre os casos de ilegalidades na Fifa
''O COI tomou nota das acusações feitas pelo (programa) Panorama e pedirá aos produtores que entreguem qualquer prova que tenham'', afirma um comunicado da organização ''O COI tem 'tolerância zero' com a corrupção e levará o tema a seu comitê de ética'', completa o texto
Uma reportagem da BBC exibida na segunda-feira à noite acusa três membros do comitê executivo da Fifa, o brasileiro Ricardo Texeira, o presidente da Confederação Africana (CAF), Issa Hayatou, e o presidente da Confederação Sul-Americana, o paraguaio Nicolás Leoz
Segundo as informações da BBC, os três integrantes do comitê executivo da Fifa receberam subornos de uma empresa de marketing há mais de uma década em um caso de corrupção
A Fifa reagiu ontem à exibição da reportagem da BBC e qualificou o assunto de investigação ''definitivamente encerrada''
''As questões sobre o caso ISL/ISMM datam de vários anos e foram tratadas pelas autoridades competentes suíças'', afirma a Fifa em um comunicado ''É importante recordar que este caso envolve fatos que aconteceram antes do ano 2000 e que não houve nenhuma condenação contra a Fifa A investigação e o caso estão definitivamente encerrados'', completa o texto
''Em seu veredicto de 26 junho de 2008, o Tribunal Penal de Zoug (Suíça) não condenou nenhum funcionário da Fifa'', acrescenta a nota da entidade
Em uma reportagem exibida na segunda-feira no programa Panorama da BBC, o jornalista Andrew Jennings, que investiga há 10 anos a corrupção na Fifa, afirmou ter documentos exclusivos sobre os pagamentos ilegais recebidos por três membros da entidade
Os subornos foram pagos pela empresa de marketing International Sports and Leisure (ISL), que obteve os direitos de transmissão para TV de várias Copas do Mundo antes de falir em 2001
Os documentos internos obtidos pela BBC dizem respeito a 175 pagamentos ilegais feitos entre 1989 e 1999, em um valor total de 100 milhões de dólares, incluindo à empresa de fachada Sanud, ligada a Ricardo Teixeira, membro do Comitê Executivo da Fifa e presidente da CBF
Teixeira, Leoz e Hayatou integram o grupo de 22 dirigentes do Comitê Executivo da Fifa que escolherão amanhã as sedes dos Mundiais de 2018 e de 2022
Inglaterra, Rússia e as candidaturas conjuntas Espanha-Portugal e Holanda-Bélgica disputam a organização da Copa de 2018, enquanto Austrália, Estados Unidos, Japão e Qatar desejam organizar o Mundial de 2022
A organização Transparência Internacional (TI) pediu à Fifa que adie a eleição das sedes das próximas Copas do Mundo ''Estas denúncias poderão fazer desacreditar o procedimento de tomada de decisões da Fifa, já que tomar uma resolução nas atuais circunstâncias apenas serviria para alimentar a polêmica''

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