O ministro do Esporte e Turismo, Carlos Melles, previu ontem que o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, deve renunciar ao cargo antes do início do Mundial. De acordo com Melles, a saída do dirigente se dará espontaneamente ou por força de uma ''ação jurídica''.
Ele se referia à Medida Provisória, prestes a ser baixada pelo governo, que autoriza o Ministério Público a requerer à Justiça o afastamento de administradores de clubes e de entidades ligadas ao futebol envolvidos em irregularidades. ''O tempo de Ricardo Teixeira na CBF passou. Ele sairá por boa vontade ou por uma ação jurídica''.
O ministro concedeu entrevista coletiva ao lado do presidente e do relator da CPI do Futebol, senadores Álvaro Dias (PDT-PR) e Geraldo Althoff (PFL-SC). MP - Pelas previsões do ministro, o presidente Fernando Henrique deve editar a medida provisória contra a corrupção no futebol em cerca de 15 dias. Mas os senadores acreditam que o prazo pode ser encurtado para a semana que vem. Qualquer que seja a data, o certo é que haverá uma solenidade para marcar a disposição do governo em dar um novo tratamento ao futebol brasileiro. Álvaro Dias lembra que a MP absorve quase todos os pontos do projeto de lei proposto pela CPI do Futebol para criar a Lei de Responsabilidade Social do Futebol. ''O que se pretende é transformar o amadorismo do futebol em entidades profissionais com direitos e obrigações''.
Uma das normas mais duras da MP é a de impedir a participação em campeonatos de clubes e federações que não estiverem em dia com as contribuições previdenciárias e trabalhistas. O ministro Carlos Melles disse que a medida provisória dará um prazo para as entidades se ajustarem. Segundo ele, o presidente do Clube dos 13, Fábio Koff, prepara um levantamento sobre a situação dos clubes. Melles descartou a possibilidade do governo conceder uma espécie de Proer aos clubes e federações, como o que foi utilizado na reestruturação do sistema financeiro. A saída, no entender dele, se dará por intermédio da inscrição ao Refis, que autoriza a renegociação das dívidas fiscais com a Receita Federal.

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