Teixeira não abre mão de renovação na seleção
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segunda-feira, 05 de julho de 2010
Folhapress 
São Paulo - O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, disse que o novo técnico da seleção brasileira terá que fazer um trabalho de renovação na equipe e trabalhar com jogadores jovens. Teixeira disse que ainda não tem um nome definido, mas que o novo comandante terá que, obrigatoriamente, aceitar trabalhar com jogadores das categorias de base da seleção.
''Peguei uma relação da Fifa com a idade dos jogadores. A Alemanha tem nove jogadores com menos de 23 anos. A Argentina tem sete, e Gana, 11. A Espanha, seis. E nós só temos um'', disse Teixeira ao canal SporTV. ''Nós temos que nos preparar para a Copa de 2014. E para isso será necessário um grande sacrifício para a formação do time. Para jogar na seleção em 2014, o jogador tem que ter (agora) 18, 19 ou 20 anos, e depois o técnico escolhe um ou outro jogador mais experiente. Não tem outra saída. Vai ter que ser nessa linha (de trabalho)'', acrescentou Teixeira.
Entre outras exigências do mandatário da CBF, o novo técnico terá perfil que reúna as melhores características de Carlos Alberto Parreira, comandante em 2006, e Dunga, técnico demitido após o Mundial da África.
Parreira foi criticado pelo excesso de liberdade dada aos jogadores. As críticas a Dunga vieram pelo excesso de rigor e isolamento total do elenco durante a Copa. ''O interessante é um meio termo (entre os dois)'', falou o dirigente.
Teixeira também frisou que o treinador que assumir o cargo terá que ser exclusivo da seleção brasileira. A decisão reduz a chances de Luiz Felipe Scolari - que tem contrato verbal com o Palmeiras até o final de 2012 -voltar ao cargo em que triunfou na Copa de 2002. O presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo, já disse que não pretende liberar Scolari para acúmulo de funções na seleção brasileira.
Destempero
Um dia após anunciar a demissão de Dunga do comando da seleção brasileira, Ricardo Teixeira fez crítica velada ao destempero do ex-treinador. Em várias entrevistas como técnico do Brasil, Dunga deu respostas ríspidas e confrontou repórteres. Durante o Mundial da África do Sul, ele chegou até a falar palavrões a um jornalista sem perceber que as ofensas eram captadas pelo microfone.
Teixeira disse acreditar que as ações da comissão técnica fora do campo influenciam os atletas durante uma partida. Para o dirigente, o abalo psicológico dos brasileiros após o primeiro gol da Holanda nas quartas de final, na última sexta-feira, foi responsável pela derrocada da equipe no Mundial.
''É um contexto todo, mas claro que (o destempero fora de campo) influencia. Se sou o presidente da CBF e invado o campo para bater no juiz, é claro que desestabilizo também a comissão técnica e os jogadores'', disse Teixeira ao canal SporTV. ''Ficou muito patente que o time ficou fora do esquadro depois de ter tomado um gol. É isso que estou dizendo'', acrescentou.
O presidente da CBF também disse aprovar a atuação de psicólogos na seleção brasileira - medida incomum em clubes. ''Acredito que o trabalho de uma psicóloga na seleção brasileira é fundamental.''


