Santos - Marcelo Pirilo Teixeira, de 45 anos, foi criado para ser presidente do Santos. Há quase dez anos no cargo, o clube pode não ser dele de direito. Mas é de fato. ''Não é mais Santos Futebol Clube. É só Santos Futebol. Clube não é. É propriedade privada'', constata Celso Leite, antigo aliado defenestrado do Conselho Deliberativo por contestar o cartola.
Entre os dirigentes dos grandes clubes do Estado, Teixeira é quem está há mais tempo no poder. Foi eleito em dezembro de 1999 com o compromisso de conquistar títulos e democratizar o Santos. Por caminhos tortuosos, cumpriu a primeira promessa. Sob sua administração, foi colocado ponto final no jejum de 18 anos sem troféus. Foram dois brasileiros e dois estaduais. Mas fez o inverso no que se refere à democracia. Deu golpe no estatuto que permitiu se perpetuar no cargo. Tirou o limite para reeleições, entre outras medidas.
''Não se trata de continuísmo. Nós sempre gostamos de dizer que é a continuidade de um trabalho'', contestou o próprio presidente, sempre que perguntado.
É jogo de palavras que mostra muito de sua personalidade. Afável no trato pessoal, é incapaz de dizer não. Quando rejeita algo, adia a decisão e ganha tempo até que isso não seja mais possível. Para o público externo, adota discurso conciliador. Nos bastidores, é um rolo compressor.
''Quando aparece dissidência ele apela para o consenso. Mas não porque deseja consenso. Marcelo quer saber quem são seus adversários para identificar o elemento mais fraco do grupo. É uma pessoa carismática pessoalmente. Mas essa é uma característica dos ditadores'', apelou Orlando Rollo, associado que foi à Justiça pedir transparência nas contas do clube.
Herdeiro de uma das famílias mais ricas da Baixada Santista, Teixeira nos últimos anos conseguiu se descolar do dinheiro da família. De acordo com pessoas próximas, não se desligou totalmente, mas está menos envolvido com o dia a dia da Universidade Santa Cecília. E conseguiu sua fortuna pessoal.
''Acho que ninguém pode negar ao Marcelo o mérito de ser santista. A paixão pelo time está no sangue da família. Creio que isso acaba sendo também um problema para ele como presidente. É primeiro torcedor, depois dirigente'', analisou Francisco Lopes, diretor de futebol entre 2001 e 2005.
Mas é um torcedor que detesta ser contrariado. Certa ou errada, é a sua opinião que prevalece sempre. Talvez por isso todas as pessoas que o criticaram ou (mais grave, para ele) o enfrentaram foram afastadas da vida do clube. ''Ele sempre foi assim. Marcelo é meio mimado mesmo porque foi o primeiro filho homem do (ex-presidente) Milton (Teixeira). Aos 18 anos ganhou uma BMW no tempo em que ninguém tinha BMW'', revelou um amigo da família.
Envolvente, sabe bem se aproveitar do fato de Santos ser uma cidade onde todos se conhecem e se relacionam socialmente. Sua força econômica faz com que muitos o temam. ''Ele utiliza a política do terror'', ressaltou Rollo. Não por acaso, um dos seus mais fiéis escudeiros, Alberto Francisco de Oliveira, o Alemão, ao ouvir críticas ao presidente na porta da Vila há cerca de um ano, começou a berrar: ''Você pensa o quê? Esse clube aqui é do Marcelo''.

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