Agência Folha
Os 22 clubes que disputam a primeira divisão do Campeonato Brasileiro, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e as 27 federações estaduais decidiram iniciar uma ofensiva contra a Lei Pelé. O acordo foi fechado ontem durante a assembléia-geral da CBF que reelegeu, por unanimidade, o presidente da entidade, Ricardo Teixeira, para o seu quarto mandato. Ele deverá permanecer no comando do principal órgão do futebol brasileiro até 2004.
Na reunião, os dirigentes decidiram criar uma comissão, com representantes de clubes e das entidades, nos próximos 30 dias. Ela preparará uma série de propostas de alterações na Lei Pelé, que será enviada ao Congresso Nacional até o final do ano.
‘‘Vamos discutir algumas barbaridades que existem na lei’’, disse Teixeira. A Lei Pelé regulamenta todo o esporte brasileiro.
A obrigatoriedade da transformação dos clubes em empresas, o limite de prazo dos contratos dos jogadores e a proibição do registro de atletas na CBF são alguns pontos que os dirigentes querem alterar na legislação. ‘‘Existem muitos pontos, mas esses seriam os principais’’, acrescentou Ricardo Teixeira.
Apesar de a Lei Pelé ter pouco mais de um ano em vigor, o lobby para esvaziar a legislação do esporte está aumentando nos últimos meses. O próprio governo federal, que no primeiro mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso fez pressão no Congresso para aprovar a legislação, já enviou um projeto de lei para modificá-la.
No mês passado, o Ministério do Esporte e Turismo encaminhou ao presidente um texto para evitar a cartelização no futebol. Pelo texto, uma empresa ficará impedida de patrocinar mais de um clube. O artigo, segundo o ministério, pretende evitar possíveis manipulações de resultados.
A CBF vai obrigar os clubes brasileiros a participar de no máximo uma competição sul-americana por temporada a partir do ano 2000, segundo Teixeira, que promete ‘‘enxugar’’ calendário nacional.
A entidade máxima do futebol do futebol brasileiro decidiu ainda adiar para segunda-feira a definição da Série C do Brasileiro, que ter ser limitada a 36 clubes.
Copa no Brasil - Ricardo Teixeira disse ontem ser favorável ao ‘‘rodízio’’ como critério de escolha da Fifa para a realização da Copa de 2006. ‘‘Defendi a tese, inclusive, no Comitê Executivo da Fifa. Automaticamente, a Copa será na América do Sul em 2010, portanto, no Brasil’’, disse o dirigente.
Paradoxalmente, o Brasil é candidato a realizar a Copa do Mundo de 2006 no país. Pelo rodízio, a Copa do Mundo deverá ser realizada uma vez em cada continente. Em 2006, seria jogada na África.
‘‘Mas o rodízio é uma utopia. Ele não existe formalmente. Foi discutido no Comitê Executivo da Fifa, mas não foi aprovado’’, acrescentou Teixeira.

mockup