Teixeira e Havelange foram subornados
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quarta-feira, 11 de julho de 2012
Rodrigo Mattos <br> Folhapress 
São Paulo - O ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira e o presidente de honra da Fifa, João Havelange, receberam 19,25 milhões de francos suíços (R$ 40 milhões) em subornos da ISL. O envolvimento foi confirmado no dossiê do caso liberado hoje pela Justiça suíça.
A ISL foi durante a década de 1990 e o início da última década a principal parceira comercial da Fifa. Quando foi a falência, um processo judicial na Suíça demonstrou que houve pagamentos de mais 100 milhões de francos suíços para dirigentes em troca de benefícios nas negociações comerciais, envolvendo direitos de TV e marketing.
Apesar das acusações de envolvimento dos cartolas brasileiras - feitas pela emissora britânica BBC e pelo jornal suíço ''Handelszeitung''-, o processo judicial sempre foi mantido em sigilo até ontem quando foi liberado para jornalistas que tinham entrado com ação pedindo a transparência integral dele. A reportagem teve acesso ao dossiê por meio de um dos jornais que o obtiveram ontem.
Na ação, está descrito que Teixeira ganhou 12,74 milhões de francos suíços (equivalente hoje a R$ 26,5 milhões) por meio da empresa Sanud, cuja ligação com o cartola já tinha sido estabelecida por meio da CPI do Futebol, no Senado. A Renford Investments Ltd foi outra empresa, com ligações com Havelange e Teixeira, que recebeu 5 milhões de francos suíços (R$ 10 milhões). Não sabe qual a divisão do dinheiro entre os dois neste caso.
Havelange ainda recebeu outro pagamento de 1,5 milhão de francos suíços (R$ 3,1 milhões). Essa transferência irregular ao cartola era conhecida pelo presidente da Fifa, Joseph Blatter, segundo o dossiê ISL.
Por meio de sua secretária, o advogado de Ricardo Teixeira, José Mauro do Couto, informou que não falaria sobre o caso. O cartola atualmente mora em Miami (EUA), mas ainda tem cargo de assessor na CBF.
Já o advogado suíço de Havelange, Marco Niedermann, não estava em seu escritório em Zurique. Segundo funcionário do escritório, ele só voltará a Zurique na próxima semana quando decidirá se irá comentar a decisão. Era ele, juntamente com o advogado suíço de Teixeira, quem tentava barrar a publicação dos documentos.
Em 2010, durante a Copa, Teixeira e Havelange fizeram um acordo com a justiça suíça. Nele, pagaram uma quantia não revelada para em troca não tivessem o nome revelado publicamente.
Satisfação
A Fifa comunicou ontem que ''recebeu com satisfação'' a sentença do Tribunal Federal Suíço. A entidade que dirige o futebol mundial reforça ainda que o caso não tem ''nenhum cidadão suíço envolvido'' assim como o seu presidente, Joseph Blatter.
Na nota, a Fifa não comenta, porém, as citações dos nomes de João Havelange, que presidiu a entidade por 24 anos, e de Ricardo Teixeira, que fez parte da instituição assim como foi presidente da Confederação Brasileira de Futebol.


