Teixeira diz que CPI prejudica Copa no Brasil
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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2000
Por Chico Araújo 
Brasília, 10 AE) - O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, defendeu hoje, ao depor na comissão mista do Congresso encarregada de analisar a medida provisória que institui a taxa de funcionamento dos bingos, que uma empresa financie mais de um clube de futebol. A MP do governo, ao contrário, tenta impedir esse mecanismo. Segundo a proposta de Teixeira, a empresa ficaria apenas proibida de exercer o controle acionário de 51% do clube.
A proposta de Teixeira permitiria também à empresa investir em outras modalidades esportivas do mesmo clube. O relator da comissão, Maguito Vilela (PMDB-GO), é contra o controle de dois ou mais clubes por uma única empresa. De acordo com o senador, a restrição imposta pela MP evita a "cartelização do futebol" e mantém a transparência do futebol.
Vilela anunciou que deverá propor a conversão - a rejeição total ou parcial da MP - para que "se possa fazer uma lei adequada à realidade atual". Além disso, membros da comissão defendem a exclusão da cobrança da taxa dos bingos do projeto. "A taxa de bingo não tem nada a ver com futebol", reconhece o deputado Gilmar Machado (PT-MG), defendendo que o assunto deva ser tratado em separado.
O dirigente da CBF ainda criticou o dispositivo inserido na MP que obriga os clubes a se transformarem em empresas. Segundo ele
a obrigatoriedade do clube-empresa "é uma imposição desnecessária". Ele avalia que se colocada em prática irá propiciar a criação de empresas falidas.
Ao referir-se sobre a Lei Pelé, outro ponto polêmico nos debates da comissão, Ricardo Texeira disse haver "graves falhas" na regulamentação do texto, mas reconheceu que elas podem ser corrigidas medidante um amplo debate sobre o tema. Ele também criticou a inclusão na MP da cobrança da taxa dos bingos. "Bingo não tem nada a ver com futebol", disse Teixeira
que entende ser necessária uma legislação específica para os bingos.
O senador álvaro Dias (PMDB-PR), além de concordar com Teixeira, propôs à comissão "uma Constituinte para o desporto nacional de modo que possamos criar uma legislação adequada à realidade atual". Dias também criticou a Lei Pelé. "É uma lei capenga, cheia de imperfeições, que precisa ser modificada imediatamente para o bem do futebol".
Mas essa não é a opinião do deputado Germano Rigotto (PMDB-RS)
que presidiu a comissão encarregada de elaborar a lei. Segundo Rigotto, apesar das falhas, a Lei Pelé serviu para evitar a cartelização do futebol e organizar minimamente o desporto nacional. Contrato - O presidente Ricardo Teixeira ainda entregou à comissão cópia do contrato de publicidade firmado entre a CBF e a multinacional Nike, que renderá à entidade desportiva brasileira US$ 170 milhões por 10 anos. Segundo Teixeira, o contrato é público e não há no documento cláussulas secretas.
À tarde, ele reuniu-se com o deputado Aldo Rebelo (PC do B- SP), autor de um requerimento propondo a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o contrato da CBF com a Nike.
Teixeira argumentou a Rebelo que a criação da CPI iria prejudicar o Brasil em sua pretensão de sediar a Copa do Mundo de 2006. Segundo ele, a CBF sendo uma entidade de direito privado não poderia ser investigada por uma CPI. Mas Rebelo não ficou de todo convecido e garantiu que a a CPI da CBF será instalada na Câmara.


