O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, decidiu adiar para sexta-feira, às 9 horas, a decisão sobre a permanência ou não do Atlético na primeira divisão do Campeonato Brasileiro. Teixeira disse que transferiu a decisão porque ainda não recebeu o parecer do diretor jurídico da CBF, Carlos Eugênio Lopes, que analisa a situação. A pressão pela inclusão do Fluminense, que foi rebaixado em 96, é muito forte.
O Atlético foi suspenso por 360 dias em julgamento no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), pelo envolvimento do seu presidente, Mario Celso Petraglia, no chamado escândalo das arbitragens. Envolvido da mesma forma, o Corinthians não foi indiciado. Seu presidente, Alberto Dualib, foi suspenso por dois anos. Petraglia foi ‘‘banido’’ do futebol, assim como o pivô de toda a história, Ivens Mendes, ex-presidente da Comissão Brasileira de Arbitragens (Conaf).Também envolvidos, outros clubes brasileiros não foram citados no inquérito.
O presidente da Federação Paranaense de Futebol, Onaireves Moura, esteve ontem reunido com Ricardo Teixeira para mais uma vez expor o argumento de que o artigo 207 do Código Brasileiro Disciplinar do Futebol dá o direito ao clube de participar do campeonato. Segundo Moura, até sexta-feira de manhã deverá conversar com outros diretores da CBF para fortalecer o trabalho de convencimento.
Enquanto a decisão da CBF não sai, a mobilização em favor do Atlético Paranaense vai ganhando força. Ontem, a Assembléia Legislativa do Paraná realizou uma sessão especial em desagravo ao Atlético. Vestidos com a camisa do clube, os deputados estaduais manifestaram repúdio à punição imposta ao clube pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva. De acordo com o presidente da Assembléia, Anibal Khury, se a punição não for revista, os auditores e juízes do STJD serão considerados ‘‘personas non gratas’’ no Paraná.
Também ontem alguns membros do conselho deliberativo do Atlético conversaram, em Brasília, com vários deputados federais e senadores. O objetivo nas conversas é sempre esclarecer a maneira arbitrária na qual o clube foi punido e conseguir novas manifestações de apoio.
Um apoio importante foi conseguido na última segunda-feira, quando os conselheiros tiveram uma audiência com o ministro da Justiça, Íris Resende. Segundo o presidente do Conselho Deliberativo do Atlético, Guivam Bueno, o ministro foi bastante simpático à causa. ‘‘Nos disse até que entraria em contato com o presidente da CBF, mas não informou qual seria o teor da conversa’’, afirmou Guivam.
O Fluminense contra-atacou ontem na batalha de ‘‘lobbies’’ pela participação no Campeonato Brasileiro de futebol deste ano. De acordo com o presidente do clube, Álvaro Barcelos, dois ‘‘torcedores ilustres’’ do Fluminense telefonaram para o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, defendendo a equipe.
Os torcedores são o ministro da Indústria, do Comércio e do Turismo, Francisco Dornelles, e o prefeito do Rio, Luiz Paulo Conde. Anteontem, o ministro da Justiça, Iris Resende, telefonou para Teixeira pedindo que o Atlético Paranaense dispute o campeonato.
Álvaro Barcelos já fala num campeonato com 26 clubes, em vez de 24, para seu time, rebaixado em 96, ganhar uma vaga. O torneio com 26 contraria o estatuto da CBF.

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