Mônaco, 13 (AE) - Pouco antes de disputar o GP de San Marino, Michael Schumacher viveu um momento histórico na sua carreira: no circuito da sua equipe, em Fiorano, pilotou o modelo 126 C2/B da Ferrari, utilizado em 1983, responsável pelo último título de construtores conquistado pela escuderia de Maranello. O piloto alemão falou hoje em Mônaco da experiência, publicada em detalhes pela revista italiana Autosprint.
"É impressionante a insegurança que sinto nesses carros mais antigos da Fórmula 1, tinha a todo instante a sensação de que alguma coisa quebraria", disse, depois de algumas voltas e dar por encerrado o teste. O francês Patrick Tambay, ex-piloto do carro, o acompanhou, orientando-o. "Com os pneus ainda frios, a 126 derrapava tanto com as rodas da frente que disse a mim mesmo para não ser idiota e desafiar o diabo", comentou o alemão.
Enquanto observava o carro, depois do treino, Schumacher contou se impressionar com o fato de fazer apenas 16 anos da existência da 126. "Como a Fórmula 1 mudou." O que mais o sensibilizou foi o motor turbo V-6. "Deve ter mais de 900 cavalos." A Ferrari F399 desta temporada usa motor aspirado V-10, que desenvolve cerca de 780 cavalos. "Eu não posso esconder também certa decepção em ter de trocar as marchas quando o motor atingia 10 mil rotações por minuto (rpm)." Hoje, segundo falou, ele substitui as marchas com 17 mil rpm.
A vida dos pilotos daquela época não era nada fácil, comenta. "Para pilotar a 126 eu tinha de brecar e acelerar ao mesmo tempo com o pé direito (manobra conhecida por punta taco), nas aproximações de curva," lembrou. "Ao mesmo tempo, acionar com o mesmo pé esquerdo a embreagem, e ainda com a mão direita trocar de marchas na alavanca e com a esquerda segurar o volante." A alavanca era dura e em nenhum momento o alemão disse estar seguro de que a marcha estava engatada.
Atualmente o piloto não usa a embreagem, a não ser para inserir a primeira, a fim de deixar os boxes e não é obrigado a fazer o punta-taco nas reduções de marcha. O sistema tornou-se automático. Além disso, não necessita tirar as mãos do volante para trocar de marchas. Elas são substituídas tocando com os dedos duas manetes instaladas atrás do volante.
O tema da segurança é resgatado pelo alemão. "Não gosto nem de imaginar o que significa escapar da pista com um carro desses." Em outra experiência com um carro antigo, não quis revelar qual, provavelmente uma Mercedes dos anos 50, explicou que ao atingir 150 km/h, teve a impressão de que sairia voando. Aqueles automóveis não possuíam cinto de segurança. "Esses veículos não correspondem ao conceito de carro de corrida que tenho."
Os modelos da Benetton de 1994 e 1995, com que foi campeão, estão preservados por Schumacher numa garagem. "Tenho ainda a minha Ferrari de 1996 e estou negociando a aquisição das de 1997 e 1998 e ainda a Jordan que estreei na Fórmula 1, em 1991." Quando olha mais atentamente esses carros, mesmo o de uma temporada atrás, Schumacher passa a considerá-los apenas peças de museu. "Fico impressionado como a tecnologia evolui de um ano para o outro."

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