Técnicos mostram competência, discrição e calma à beira do campo
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sábado, 10 de julho de 2010
Wilson Baldini Jr. e André Cardoso <br>Agência Estado 
Johannesburgo - Em uma época em que as transmissões de TV reservam câmera exclusiva para cada treinador, o espanhol Vicente del Bosque e o holandês Bert van Marwijk não são bons atrativos. Tranquilos, discretos e equilibrados, os dois finalistas da Copa do Mundo vão na contramão dos seus colegas irritadiços, desequilibrados e faladores de palavrão. Neste domingo, no Soccer City, no jogo mais importante de suas carreiras, eles poderão ficar um pouco mais agitados, mas nunca perderão a compostura.
Para os menos fanáticos por futebol, um olhar rápido pelo banco de reservas de Espanha ou Holanda não servirá para descobrir quem é o técnico. Poucas vezes ficam em pé, não gritam a cada lateral com o time e não fazem gestos estapafúrdios que buscam passar várias determinações em poucos segundos. São discretos, mas se engana quem acha que eles não têm o domínio da equipe ou opiniões fortes.
Dos 59 anos de idade, Del Bosque é treinador há 25. De 1999 a 2003, dirigiu o Real Madrid dos galácticos Ronaldo, Figo, Zidane e cia., garantindo o último período de glórias máximas da equipe merengue. Com seu jeito bonachão, sabe lidar com estrelas. Coisa que seus sucessores não conseguiram. Pela seleção, assumiu em 2008 logo após a conquista da Eurocopa, que encerrou um jejum de 44 anos. E está a 90 minutos de colocar os espanhóis na seleta lista de campeões mundiais.
Antes da partida contra Portugal, pelas oitavas de final, não se intimidou com todo o noticiário sobre o craque e atacante Cristiano Ronaldo. Não temos obsessão por marcá-lo. É um grande jogador, mas também temos grandes jogadores em nossa equipe.
Van Marwijk também não tem problemas de relacionamento com os jogadores da Laranja Mecânica. Sempre se mostra aberto a diálogos, mas também se mostrou rígido, ao proibir que os jogadores utilizassem os computadores, depois que um vídeo foi colocado na internet, flagrando os atletas no hotel na África do Sul. Foi dada uma liberdade e ela não foi bem utilizada, disse Van Marwijk, que, a exemplo de Del Bosque, tem uma boa relação com a imprensa de seu país.
No dia seguinte à vitória sobre o Uruguai, na semifinal, ele foi visto na Mandela Square, em Johannesburgo, ao lado da estátua do líder sul-africano. Posava para fotógrafo de uma revista holandesa, que se atirou ao chão para buscar o melhor ângulo. Toda a sessão durou cerca de 15 minutos e Van Marwijk jamais perdeu a calma, mesmo com sua mulher esperando ao lado para ir almoçar.
Com Del Bosque e Van Marwijk, os jogadores têm a companhia de seus familiares na Copa. Como se vê não é necessário adotar um regime ditatorial, mal-educado e carrancudo para se obter sucesso.


