Técnicos-mirins cobram mais gols
Lúcio Horta
De Londrina
O amargo sabor de derrota no empate em 1 a 1 entre as seleções do Brasil e do Chile, na rodada de abertura do Torneio Pré-Olímpico, anteontem, não desagradou apenas os torcedores marmanjos que foram ao Estádio do Café ou que viram o jogo pela TV a cabo. As crianças, mesmo sem entender direito de esquemas táticos ou regras do futebol, foram unânimes em reclamar da falta de gols da equipe brasileira.
Pelo menos é assim que pensam os alunos de educação infantil do Caic Dolly Jess Torrezin, da zona sul de Londrina. Durante o mês de janeiro, os garotos e garotas, todos entre três meses e seis anos de idade, só estão desenvolvendo atividades relativas ao Pré-Olímpico. E o trabalho de ontem foi justamente avaliar o resultado da partida de quarta-feira no Estádio do Café.
O jogo terminou 1 x 1. Os torcedores ficaram tristes porque queriam mais gols. Nós crianças do Caic queremos que o Brasil faça mais gols!!!, cobraram os pequenos alunos, em parte de um texto desenvolvido coletivamente, com auxílio dos professores.
O Chile fez o gol e as pessoas ficaram mais tristes, lamentou Eric da Silva, de apenas três anos de idade. Queria que o Brasil fizesse três gols, não só um, completou, enquanto tentava desenhar uma figura do capitão Alex. Como ele, todos os alunos estavam com jalecos com as cores da bandeira do Brasil. Estou desenhando o Alex porque foi ele quem fez o gol, explicou.
Outro aluno, Fabrício Aparecido de Souza, quatro anos de idade, concordou com o colega. Assisti ao jogo na tevê, com meu pai e minha mãe. Foi muito legal e gostei mais do gol do Alex. Gostei menos do Chile. Mas (a Seleção Brasileira) tinha que fazer mais gols, reclamou, enquanto desenhava a bandeira do Brasil.
O garoto Bruno Eduardo da Silva, três anos, tem a mesma opinião sobre o placar magro da partida. Apesar disso, afirmou que gostou muito de ver o Ronaldinho jogar. Gostei mais dele porque sim, explicou, encerrando a conversa.
A coordenadora do trabalho, Luciana Adário Brandão, disse que a cada bimestre a escola trabalha com temas diferentes, entre eles o trânsito, a violência e, agora, o futebol. No total, neste mês de janeiro, a média é de 30 crianças atendidas, que ficam na escola das 7 às 19 horas. Mas esse número sobe para cerca de 180 ao final das férias escolares.
No caso do Pré-Olímpico, as crianças já ajudaram a confeccionar maquetes do Estádio do Café, do hotel da seleção e até do ônibus que transporta os jogadores. Também não faltaram a simulação de partidas de futebol, com os meninos devidamente uniformizados interpretando os jogadores e as meninas a torcida.
Luciana Adário explica que todas essas atividades estão sempre relacionadas ao conteúdo mínimo que a escola tem que passar para o aluno, de acordo com a faixa etária. Um exemplo são os próprios adversários do Brasil: as crianças discutem a localização do País, as cores da bandeira e outros aspectos culturais. Além disso, a própria discussão dos temas ajuda as crianças a desenvolverem a oralidade e os princípios de cidadania.





