Técnicos migram do vôlei para futebol
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sexta-feira, 04 de junho de 1999
Por João Pedro Nunes 
São Paulo, 05 (AE) - A crise vivida pelo vôlei brasileiro pode não ter sido determinante, mas contribuiu bastante para que técnicos como Bebeto de Freitas, José Roberto Guimarães e Marcos Pinheiro, por exemplo, trocassem de esporte. Josenildo Carvalho, treinador campeão pelo Paulistano, Banespa e pelo BCN, ao contrário, está sendo derrotado pela falta de oportunidade de trabalho. Sem time, pôs à venda um apartamento na Chácara Santo Antônio e um sítio em Porto Feliz. Com o dinheiro, pretende comprar um posto de gasolina no Recife, sua cidade natal.
Diretor-executivo do Atlético Mineiro, Bebeto, campeão mundial com a seleção italiana, transferiu-se para o futebol por não ver perspectivas no vôlei brasileiro. "Fui para a Itália por não ter mais mercado de trabalho aqui", diz o treinador, que se desentendeu com os dirigentes da Confederação Brasileira e acabou seguindo o exemplo do pioneiro José Carlos Brunoro. "Não dava para trabalhar e brigar."
Já José Roberto Guimarães, gerente de Futebol do Corinthians Licenciamentos Ltda., a empresa criada pela parceria entre o Corinthians e Hicks Muse, tinha mercado no vôlei, mas não tinha vínculos com nenhum clube. Campeão olímpico em Barcelona, em 1982, com a seleção masculina, Zé Roberto viveu duas decepções recentes no esporte. Montou o time do Dayvit, campeão paulista em 1997, que fechou na temporada seguinte.
A Universidade Guarulhos assumiu o patrocínio deixado pelos Laboratórios Aché, dono da marca Dayvit. Mas, por problemas financeiros, deu calote em toda a equipe. Jogadoras, integrantes da comissão técnica e a infra-estrutura do clube não recebem desde o início do ano. Estão pendentes os pagamentos de aluguéis, condomínios e impostos, além de salários.
"Tenho uma história de 30 anos no vôlei e foi difícil a decisão de mudar de esporte", admite Zé Roberto. "Mas a falta de patrocinador obriga à reestruturação do esporte", prossegue. "A situação exige mudanças de base." Marcos Pinheiro, auxiliar de Zé Roberto na conquista do título olímpico, recusou convite para assumir o Palmeiras. Preferiu orientar a dupla Ana Paula e Jacqueline, no vôlei de praia.
Sem saída Sem time desde abril, quando terminou o contrato com o BCN, Josenildo Carvalho, de 54 anos há 40 no vôlei , contesta o modelo atual do esporte. "O vôlei precisa de patrocinador para ter um time, quando o ideal seria o contrário: um time a procura de patrocínio", diz o treinador, que defende a ligação das empresas a clubes tradicionais como Corinthians, Palmeiras e São Paulo. "O vôlei é um ótimo produto
mas precisa ser reformulado." Por ter pressa, Josenildo resolveu pôr seus imóveis à venda em oito imobiliárias diferentes.


