São Paulo - Dinheiro nem sempre compra felicidade. Dizendo que o Corinthians precisa de um técnico à altura de suas ambições, Kia Joorabchian sonha com longos e dourados currículos, como os de Vanderlei Luxemburgo, Luiz Felipe Scolari ou Carlos Alberto Parreira. Depois de perceber que nenhum deles iria para o clube no momento e se curvar aos argumentos em favor da destituição de Daniel Passarella, o homem forte da MSI deu sinal verde para uma investida sobre Emerson Leão. Nesta quarta-feira, ouviu nova recusa.
''Não posso deixar o Japão agora por causa do compromisso que tenho. Saí do São Paulo por uma questão de amizade e vou cumprir essa amizade. Não existe a possibilidade de voltar ao Brasil agora'', disse Leão, que aceitou dirigir o Vissel Kobe atendendo pedido de um amigo. ''O que impede é a minha palavra. Recebi o convite, mas não posso deixar o Japão agora. Acho que, se o treinador é procurado, é porque tem algo de bom a oferecer. É bom, alimenta o ego. Mas todos conhecem minha ética.''
Sem outro grande nome disponível, o Corinthians cogita dois outros profissionais reconhecidos, mas sem o mesmo peso: Muricy Ramalho, do Internacional, e Nelsinho Baptista, do japonês Nagoya Grampus. As duas contratações também são difíceis e o clube nega um interesse oficial.
Um nome disponível no mercado seria Péricles Chamusca, que deixou o Goiás em abril. Mas, orgulhoso e ainda sem admitir interesse por ninguém, Kia passou quase o dia todo reunido com a cúpula corintiana e com Daniel Passarella, que recebeu convite para ser diretor internacional da MSI e relutou em aceitá-lo de prontidão.
O vice-presidente eleito do clube e responsável pelo departamento de futebol até a chegada da MSI, Antônio Roque Citadini, se viu coberto de razão ontem por ter trabalhado contra o acordo.
''Os problemas são de uma matriz mais ampla que a escalação de jogadores ou trocas de técnico. O clube tem a parceria errada. Os jogadores vêm não porque o time precisa deles, mas porque um negócio é montado na Argentina, Portugal ou Leste Europeu. Sobre o técnico, não tenho nada a sugerir. Não trabalho com essa empresa e não quero sair na foto'', disse o dirigente.

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