Técnicos do Irã e EUA agem como diplomatas
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 19 de junho de 1998
Agência Estado 
Amanhã, em Lyon, as seleções de Irã e Estados Unidos fazem de uma partida do futebol o primeiro passo para a reconciliação das relações diplomáticas entre os dois países que foram cortadas pela revolução islâmica em 1979. Dois homens passaram os últimos dias tratando de desvincular o conteúdo político que envolve o jogo. Steve Sampson, técnico dos EUA, e Jalal Talebi, treinador do Irã, sabem que qualquer comentário provocativo poderia trazer consequências graves à segurança da partida. Os dois adotaram a postura de diplomatas.
Talebi tem ligação com os dois países. Guarda no bolso dois passaportes: o iraniano, seu país de origem, e o green card norte-americano, recebido depois de migrar para a América com a mulher e dois filhos. Nunca tive problemas para entrar nos dois países, comenta Talebi, que é dono de um supermercado em Palo Alto, na Califórnia. Seus filhos estudam em universidades norte-americanas. Talebi voltou ao Irã este ano, por causa do futebol. Ele fala sobre as diferenças de mentalidade nos dois países. No Irã há mais solidariedade entre as pessoas.
Sampson acredita que daqui a alguns anos os Estados Unidos vão ser a grande potência do futebol mundial. Diz que os americanos podem superar qualquer rival, basta acreditar em si mesmo.
Mas, quando se trata de um jogo contra o Irã, o discurso muda. Vamos jogar futebol, respeitando nosso adversário.
Os dois treinadores dizem que o confronto entre as seleções representantes das duas nações inimigas no campo político é uma boa oportunidade de mostrar uma nova face entre as relações Irã-EUA. Queremos fazer do jogo uma grande festa, afirma Talebi. É uma partida histórica, diz Sampson.


