União Bandeirante, Marília, São Paulo, Universidad de Honduras, Internacional (Limeira), Chapecoense, Vocem (Assis), Araçatuba, Votuporanguense, Iguaçu, Arapongas, URT, Ji-Paraná, Dom Bosco e Nacional (Rolândia). Não. Isto não é uma relação de participantes de um torneio.
A lista de clubes acima está no vasto currículo de jogador de Itamar Bernardes Rafael, o cigano que carreou sua experiência nos campos para comandar com sucesso o Atlético Clube de Paranavaí, finalista do Campeonato Paranaense.
A peregrinação pelo mundo, que continuou como treinador em âmbito regional, gerou uma história em que quase não há mais espaço para situações inéditas. Decidir um título fora de casa, em um estádio lotado, precisando vencer todos os ingredientes do duelo de hoje contra o Coritiba já ocorreu em uma tarde remota em uma terra remota.
Final do Campeonato Nacional hondurenho, 1980. Universidad de Honduras x Alianza, na capital, Tegucigalpa. Itamar, um centroavante rompedor, era a esperança do pequeno Universidad. A torcida do Alianza, uma das principais de Honduras (um país pobre da América Central, de cerca de 6 milhões de habitantes), tomou conta das arquibancadas.
Mas foi o jovem negro brasileiro, alto e forte (na época, seu 1m90 de altura significava 88 quilos) quem brilhou. Ele marcou o gol do título do Universidad e calou o estádio. O 2 a 1 nunca mais saiu de sua cabeça, assim como a máxima que virou lema para quem sempre comandou equipes modestas: ''No futebol nada é impossível''.
Hoje, no Alto da Glória pintado em verde-e-branco, a lembrança da epopéia hondurenha e da máxima estarão mais vivas do que nunca. ''Será o jogo mais importante da minha vida''.
A carreira de treinador começou no Nacional, de Rolândia, em 1997. Em 99, Itamar já era campeão invicto da Segundona pelo Telêmaco. Treinou também o Cianorte e o Ubiratã, de Dourados (MS). Desde junho do ano passado, comanda o ACP com um estilo durão, usando a linguagem mais acessível aos boleiros. ''Nosso segredo é a humildade, é fazer o grupo olhar no olho de cada um e transmitir confiança''.
Itamar acredita que sua capacidade já está acima das possibilidades do Paranavaí. ''Venho provando que posso trabalhar em uma equipe maior''.
Bonamigo Conquistar títulos já foi um fato comum na vida de Paulo Afonso Bonamigo, nos tempos em que ele era jogador de futebol. Agora, no entanto, este gaúcho de Ijuí, que tem 42 anos de idade, parece um juvenil a procura de seu primeiro grande troféu. Desde que abraçou a carreira de técnico, o principal título que conquistou foi com o Sampaio Correia, na Copa do Maranhão. ''Ninguém conhece o futebol de lá, então aqui, caso ocorra, este será o meu primeiro grande título'', afirma Bonamigo.
Depois de uma carreira de glórias como jogador, principalmente enquanto esteve no Grêmio, que foi campeão do mundo, pendurou as chuteiras em 1997, jogando pelo modesto Madureira, do Rio de Janeiro. Decidiu permanecer no Rio, onde fez um curso de técnico de futebol. Depois, seu primeiro trabalho comandando uma equipe foi com o próprio Madureira. ''Ganhamos o seletivo para a Primeira Divisão do Rio'', lembra ele.
Depois disso, esteve comandando o Joinville em duas temporadas pela série B do Brasileirão. Na sequência, foi ao Maranhão, dirigir o Sampaio Correia e lá conquistou seu primeiro título estadual na nova função. Foi para o Remo e levou o time do Módulo Amarelo para o Verde, o equivalente a uma subida de divisão nacional no pouco constante calendário do futebol brasileiro. Depois comandou o Mogi Mirim em um Campeonato Paulista e então veio a Curitiba, dirigir o Paraná Clube. ''Peguei o time na metade de um campeonato e mesmo assim chegamos na final do Paranaense'', recorda.
A transferência do Paraná Clube ao Coritiba foi um tanto tumultuada pois não é comum um técnico sair de um time para dirigir o rival, sem escalas. No entanto, o trabalho dele foi se destacando. No ano passado, por pouco não levou o Coxa para a fase decisiva do Brasileirão.
Bonamigo manteve a base da equipe do ano passado, apostou em jogadores jovens como Adriano e Marcel e agora está próximo de sua primeira grande conquista como técnico. ''Este é o último jogo. Tem que ser agora'', resume.

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