Quem conversa com jogadores e comissões técnicas de Coritiba e Atlético após os primeiros treinos secretos da semana acha que o futebol vai ser reiventado no domingo, no Couto Pereira, às 18h30, quando ambos começam a decidir o Campeonato Paranaense 2000. Com a ‘lei do silêncio’ instituída nos dois clubes, o que se consegue arrancar é que várias situações novas, para surpreender o adversário, serão aplicadas na partida.
Atentos às respostas, ninguém deixa escapar o que pode estar sendo ensaiado. No entanto, no Coritiba, por exemplo, os jogadores mostram muita satisfação com os resultados dos dois primeiros treinos com portões fechados. ‘‘O que está sendo feito está deixando a gente muito empolgado. Não é nada mirabolante, mas a equipe vai criar situações boas para superar o Atlético’’, disse o meia Leandro Tavares, que não quis comentar nem se está treinando mais intensivamente cobranças de faltas, uma de suas especialidades.
O lateral-direito Reginaldo Araújo disse que, além de tentar surpreender o rubro-negro, o Coritiba está treinando também para não ser surpreendido. Ele afirmou que o posicionamento defensivo foi bastante trabalhado. ‘‘Ainda vamos conversar, mas pode até ser que haja forte marcação individual’’, observou.
O técnico Paquito disse que os trabalhos estão sendo bastante produtivos porque os jogadores estão cientes das dificuldades que terão na hora do jogo. ‘‘A gente treina, cria situações que podem surpreender, mas o que vai valer mesmo é que eles terão que aplicar isso com muita disciplina tática e isso o grupo pelo menos nos treinos está acontecendo’’.
O técnico Oswaldo ‘Vadão’ Alvarez e os jogadores atleticanos omitem informações para imprensa de como a equipe jogará no primeiro clássico da decisão. O treinador justifica a ação tocando no assunto das variantes. ‘‘Ainda não tenho o time escalado. Somente no domingo, 15 minutos antes da partida, anunciarei o onze titular. Tenho ainda hoje e amanhã para testar novas formações e treinar aplicações ofensivas’’.
Mas, subindo em muros e em prédios vizinhos, a imprensa conseguiu alguns detalhes que, na verdade, também não são grandes novidades. O polivalente Kléberson começou como titular na lateral-direita e depois foi substituído por Luisinho Netto. O meia Silas entrou na segunda parte do treino no lugar do atacante Kléber, o que sugere uma equipe mais cautelosa.
E o próprio atacante Kléber deu algumas dicas sobre a possível cautela Rubro-negra no primeiro jogo da decisão, no Couto Pereira. ‘‘Primeiro vamos marcar e depois pensar em atacar’’.
Vadão sabe que corre contra o relógio para acertar o Rubro-negro. ‘‘Nos últimos meses nossa equipe realizou poucos coletivos como o de ontem. Tive tempo de fazer algumas experiências em todos os setores, apesar das interrupções que tivemos com os repórteres querendo filmar nosso treino secreto’’.
Mesmo tendo um elenco de 35 jogadores o treinador sabe com quem pode contar e quais aqueles atletas que realizam bem suas determinações. As dúvidas de Vadão são basicamente técnicas. O exemplo: ‘‘Com Luisinho Netto na lateral-direita tenho um jogador que em 11 Atletibas marcou oito gols. É uma arma. O Kleberson também vem se saindo bem no treino. Se você me perguntar quem joga domingo eu respondo: tanto um como outro tem 50% de chances de iniciar o clássico. O Kleberson também fez um gol no Coritiba na seletiva para a Libertadores, no ano passado’’.
A onda silenciosa continua hoje no Centro de Treinamentos do Cajú, em Umbará. Os portões do CT estarão fechados nos dois períodos. Sem espiões por perto, Vadão espera acertar jogadas ensaiadas em cobranças de faltas e afinar o posicionamento de sua equipe quando tiver posse de bola. ‘‘Muitos fatores influirão para chegarmos a vitória. O gol do título pode bem sair de uma de uma dessas nossas jogadas ensaiadas’’.

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