Florianópolis, 03 (AE) - Existem pelo menos 20 maneiras diferentes para identificar o jogador que falsifica documento para mentir a verdadeira idade. As dicas são do técnico Jaime Farias, da Escola de Futebol Santa Catarina, de Florianópolis, que durante 15 anos estuda o comportamento dos garotos e acaba de concluir o trabalho "gatos e lebres legais e ilegais do futebol brasileiro", que relata o avanço do número de atleta atuando de forma irregular no País.
Para obter a vantagem eles chegam a alterar a data de nascimento de um a quatro anos. O treinador garante que é fácil descobrir a farsa. "Quem tem uma certa experiência no futebol consegue identificar rapidamente que o garoto está mentindo", afirmou Farias, que cobra uma postura rígida sobre o assunto das autoridades ligadas ao esporte. "Atualmente não existe lei específica para punir clubes que estão se transformando em verdadeiras fábricas de gatos", constatou. Farias alertou ainda que muito clubes, na maioria das vezes, não são responsáveis pela falsfificação. Os garotos são orientados por terceiros, geralmente empresários e até pelos pais, que falsificam os documentos visando lucro numa possível negociação. "Os clubes deveriam fazer um trabalho de investigação sobre a verdadeira idade do jogador quando desconfia que alguma coisa está errada".
Os "gatos", segundo o treinador, são atletas vividos, espertos e sabem, principalmente fingir. Muitas vezes falam de assuntos que os demais da mesma faixa etária não dominam, como das experiências amorosas e sexuais. Quando chegam nos clubes, aparentemente são tímidos, mas depois tornam-se bem mais extrovertidos. "A maior parte comenta pouco sobre a vida pessoal, familiar e dos amigos, além do ano que deixou de estudar", constatou.
Responsável por ter revelado jogadores como o meia Anderson, do Internacional de Potro Alegre (RS), e o atacante Leandro do Flamengo (RJ), o treinador alerta ainda para o que ele chama de "gatos legais" - aqueles jogadores, que, os pais, por várias razões, registram os filhos meses ou até anos depois da data de nascimento. "Há muito atuando desta forma", garante Farias, que durante três anos viajou, como "olheiro" por todas as regiões do País.
O treinador está propondo amplo debate com treinadores, dirigentes, médicos, Ministério Publico, Federações Regionais e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O objetivo é de se criar leis específicas para coibir a prática. "As federações e a CBF, ao registrarem os atletas estão tornando-se os principais álibis dos clubes, que acabam se isentando de qualquer responsabilidade, quando escala um jogador de forma irregular em uma competição" observou.
O exame ósseo do pulso deveria ser também obrigatório todas as vezes que houvesse uma suspeita. "As federações deveriam exigir dos clubes um trabalho minucioso nas categorias de base para identificar qualquer irregularidade", acrescentou Farias, que descobriu um caso de "gato" na escola que possui na capital catarinense, depois de utilizar esse tipo de recurso.
"O garoto disse que tinha 13 anos, mas na verdade os exames mostravam que ele possuía três anos a mais" afirmou o treinador
que não revelou o nome, mas dispensou o atleta. Farias contou, que logo depois encontrou o mesmo jogador disputando a Taça Londrina de Futebol Juniores. "Ele, lá, mudou de nome e dizia ter 15 anos".

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