Técnico tem projeto para carentes
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sábado, 24 de fevereiro de 2001
De Londrina 
O coordenador de atletismo da Fundação Municipal de Esportes, José Eugênio Zaninelli, é capaz de percorrer todos os 400 metros da pista de raias coloridas da UEL sem esquecer do seu projeto. No palco quase idêntico ao que surgiram heróis do porte de Carl Lewis e Adhemar Ferreira da Silva, o jovem técnico imagina crianças pobres com esperança de vencer na vida desafiando seus limites.
O sonho tem preço. Custa R$ 22 mil por mês. Para ser concretizado, basta um sim da comissão que está analisando os projetos que concorrem às verbas provenientes da Lei de Incentivo ao Esporte Amador. Não é pouco dinheiro, mas o retorno social é garantido.
É difícil ter paciência para quem trabalha com um cronômetro na mão, contando a vida em segundos e tendo o tempo como inimigo. Aficcionado pelos milésimos, Zaninelli garimpa sua serenidade e não se irrita com a espera, mesmo sabendo que do outro lado está o poder público. Ele quer trabalhar e aplicar a lição mais importante que aprendeu dando aulas para garotos pobres.
O esporte deve ser encarado como formador de homens e não somente de atletas. Quero é dar uma oportunidade para a criança com talento e com vontade. Com raríssimas exceções, o atletismo é praticado por carentes, que não teriam outra chance de ser descoberto se não fosse através da massificação, explica.
O projeto beneficiará 1,3 mil crianças e inclui 10 pólos de prática da modalidade espalhados por Londrina, cada um para 100 crianças. O maior seria um centro avançado no próprio câmpus, com 300 crianças com mais potencial. Elas receberiam vale-transporte e alimentação para treinar regularmente.
Mesmo com estrutura modesta, o atletismo de Londrina consegue atrair promessas de outras regiões do Estado. É o caso de Cleiton Luis Aguiar, 17 anos, de Francisco Beltrão (sudoeste do Estado), grande promessa de provas de fundo e meio fundo.
Ele é recordista sul-americano na sua faixa etária na prova dos 3 mil metros rasos. Aguiar também foi o grande destaque nos dois últimos Jogos da Juventude. Além dos 3 mil metros rasos, prova em que é bicampeão, ele levou mais duas medalhas de ouro na edição do ano passado: nos 800 e nos 1,5 mil metros rasos. A pista de tartan é mais rápida e incentiva a gente treinar, resume o treinador. (L.F.M.)


